‘Só fiquei chorando’, diz vítima de golpe do falso advogado


Operação contra grupo criminoso prendeu 16 pessoas nesta quarta (22). Suspeitos aplicavam golpes em todo o país, segundo polícia. 16 pessoas são presas suspeitas de aplicar o golpe do falso advogado
A promotora de vendas Carina Prado dos Santos foi vítima do golpe dos falsos advogados, alvos de operação da Polícia Civil do Paraná e do Ceará nesta quarta-feira (22), e relatou à RPC como os suspeitos a enganaram.
A mulher conta que tinha um valor para receber em precatório e foi contatada por um falso advogado, que a prometeu liberar o dinheiro o mais breve possível. Para isso, segundo Carina, o suspeito solicitou um deposito de R$ 1.700, que seria gasto em supostas taxas.
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Porém, após realizar o depósito, Carina percebeu que se tratava de um golpe.
“Eu só fiquei chorando. Estava em casa, só fiquei chorando, chorando. Era um dinheiro que a gente conta, né. Era um valor bem bom que eles falaram, e eu não tinha pego todo o dinheiro ainda do processo que eu estava, achei que poderia ser mesmo”, relembra.
Durante a operação, 16 pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no esquema. Segundo a polícia, os pagamentos indevidos foram depositados nas contas delas.
As prisões, conforme a polícia, aconteceram em cidades do Ceará. A operação apreendeu também celulares, dinheiro e máquinas de cartão de créditos.
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Como funcionava o golpe
Polícia realiza operação contra falsos advogados que aplicavam golpes em diversas regiões do Brasil
PCPR
Suspeitos de envolvimento em golpes de falsos advogados tinham como modus operandi contatar as possíveis vítimas pelo WhatsApp.
Segundo a investigação, os suspeitos entravam em contato com possíveis vítimas com ações na Justiça e pagamentos judiciais a receber. Só na capital paranaense, de acordo com a polícia, pelo menos 50 Boletins de Ocorrência (B.Os) foram registrados pelo crime.
Depois de conseguirem a atenção das vítimas, os golpistas tentavam convence-las a fazerem pagamentos de taxas para liberar o valor que eles suspostamente tinham pendente. Em alguns casos, os valores solicitados eram da ordem dos R$ 10 mil, conforme a investigação.
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Para serem mais convincentes, os suspeitos davam informações sobre processos reais dos quais as vítimas eram partes.
De acordo com o delegado Emmanoel David, os suspeitos identificavam esses processos reais a partir de dados públicos em sites da Justiça e, em seguida, faziam correlações com sites estaduais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
“Eles previamente conseguiam, através de dados abertos na internet, dados concretos de processos de precatório”, explica o delegado.
Um print obtido pela RPC mostra uma das abordagens com uma vítima de Curitiba na qual um golpista se apresenta como representante de um escritório que não existe.
Pelo WhatsApp, golpistas diziam ser representantes de escritórios de advocacia
Reprodução/RPC
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