Sem água há cinco dias, Cooperlix sofre com o atraso no repasse de R$ 119 mil, referente ao mês de outubro, pela Prefeitura de Presidente Prudente


Vice-presidente disse que essa é uma das fases mais difíceis pelas quais a cooperativa já passou e que os cooperados cogitam interromper os trabalhos por falta do fornecimento de água. Cooperlix sofre com o atraso no repasse de R$ 119 mil, referente ao mês de outubro, pela Prefeitura de Presidente Prudente (SP)
Reproduçã/TV Fronteira
A Cooperativa de Trabalhadores de Produtos Recicláveis (Cooperlix), que realiza a coleta seletiva em Presidente Prudente (SP), está sofrendo com o atraso no pagamento de aproximadamente R$ 119 mil, que deveria ter sido repassado pela Prefeitura Municipal até o quinto dia útil de novembro.
Para além da dificuldade em pagar as contas, a falta de verba tem afetado diretamente os cooperados, que estão sem água devido a um problema na bomba da caixa d’água há cerca de cinco dias.
Segundo os cooperados, funcionários da Secretaria de Obras e Serviços Públicos (Sosp) foram acionados, porém, o problema não foi solucionado. À Cooperlix, os servidores disseram que iam voltar em outro momento, no entanto, durante uma ligação telefônica nesta quarta-feira (22), informaram que o problema “não era da responsabilidade deles”, segundo o vice-presidente da Cooperlix, Júlio César Roque.
Em entrevista à TV Fronteira, o vice-presidente ainda ressaltou que essa é uma das fases mais difíceis pelas quais a cooperativa já passou.
“A gente está passando por uma fase bem difícil, porque a gente está sem água, a gente está com problema nos banheiros, então, está difícil continuar os trabalhos. A gente já pensou até em interromper os trabalhos por falta de fornecimento de água”, revelou.
Cooperativa sofre com novo atraso de repasses de verba em Presidente Prudente (SP)
Ele também informou que não está sendo cumprido o acordo feito com a Prefeitura, que deveria ceder cinco caminhões da Companhia Prudentina de Desenvolvimento (Prudenco) para a realização da coleta de produtos recicláveis na cidade.
“Estamos em fase de renovação do contrato com a Prefeitura, porque o contrato com a gente foi encerrado, então, nós estamos com quatro caminhões nas ruas, que são da empresa, e, pelo contrato, nós teríamos que ter mais cinco [caminhões] da Prudenco, que não estão vindo, eles estão mandando somente um caminhão. No momento, ao todo, estamos com cinco caminhões fazendo a coleta em Presidente Prudente”, disse à TV Fronteira.
Diante da situação, os cooperados cogitam, inclusive, suspender os trabalhos até que a situação se normalize.
“É o momento mais difícil. Não tem água, os banheiros estão todos parados, a maioria das pessoas que trabalha aqui, com a gente, é mulher, e fica difícil usar os banheiros sem água […]. Eu fico triste, em pleno Dia Mundial da Reciclagem, a gente estar passando por isso e pela falta de apoio que a gente vem passando, nesses últimos meses, por conta do repasse que a gente não recebe da Prefeitura”, afirmou o vice-presidente.
Cooperlix sofre com o atraso no repasse de R$ 119 mil, referente ao mês de outubro, pela Prefeitura de Presidente Prudente (SP)
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Outro lado
Em nota, a Prefeitura de Presidente Prudente, por meio da Secretaria Municipal de Finanças, esclareceu que “segue empenhada em quitar o mais rapidamente possível todas as pendências relativas ao mês de outubro com seus fornecedores e parceiros, seguindo a ordem cronológica de pagamento das notas”.
“Em relação à Cooperlix, cabe ressaltar que já foram pagos os repasses de todos os demais meses, estando pendente somente do mês de outubro. Além disso, o município incluiu a cooperativa na lista de beneficiados pelo Programa de Aquisição de Alimentos, que destina quinzenalmente cestas completas de itens da agricultura familiar para os cooperados”, salientou.
Quanto às demandas estruturais, a Secretaria de Meio Ambiente disse que já está ciente e, em conjunto com a Secretaria de Obras, “irá providenciar os reparos necessários”.
Cooperlix sofre com o atraso no repasse de R$ 119 mil, referente ao mês de outubro, pela Prefeitura de Presidente Prudente (SP)
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Mais atrasos
Após quase 60 dias de atraso, a Prefeitura de Presidente Prudente realizou o repasse de R$ 238 mil à Cooperativa de Trabalhadores de Produtos Recicláveis (Cooperlix), no último dia 13 de outubro.
Os cooperados estavam com a verba dos meses de setembro e outubro em atraso, que deveria ter sido paga no quinto dia útil de cada período.
O repasse é resultado de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado pelo município em 2015. O termo contempla o repasse mensal no valor de R$ 119 mil para a Cooperlix, através da Secretaria de Meio Ambiente.
Com essa quantia, a Cooperlix conserta máquinas, faz a manutenção de caminhões e abastece os veículos. Além disso, o valor também contribui no salário pago aos mais de 80 trabalhadores.
De acordo com o Poder Executivo, o valor repassado seguiu um cronograma de pagamentos, que é público e está disponibilizado no Portal da Transparência.
Cooperlix sofre com o atraso no repasse de R$ 119 mil, referente ao mês de outubro, pela Prefeitura de Presidente Prudente (SP)
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Prejudicados
Durante o período da falta do pagamento, o salário dos trabalhadores, o abastecimento e a manutenção dos caminhões da cooperativa foram diretamente afetados.
O vice-presidente e auxiliar de produção da cooperativa, Júlio Cesar Roque, relatou em entrevista à TV Fronteira que, com a situação difícil, alguns trabalhadores, inclusive, “passaram até fome”.
No dia 3 de outubro, os vereadores Demerson Dias (PSB) e José Alves da Silva Júnior (PODE) estiveram na sede da Cooperlix para ver de perto as condições dos trabalhadores.
Na ocasião, um ofício foi feito à Mesa Diretora para que, dentro da economia da Casa de Leis, um valor fosse destinado à Cooperlix.
No dia 29 de setembro, o promotor de Justiça Gabriel Lino de Paula Pires, que é o secretário regional do Núcleo do Pontal do Paranapanema do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP), cobrou providências urgentes da Prefeitura para regularizar os pagamentos à Cooperlix.
O promotor ainda fez uma audiência virtual com representantes do serviço e do Poder Executivo para abordar o assunto.
O secretário do Gaema afirmou que a Prefeitura deve adotar providências urgentes para regularizar os pagamentos, como já havia constado, inclusive, em recomendação anterior.
Após a reunião, o promotor de Justiça determinou a expedição de ofício ao Poder Executivo, com cópias ao prefeito Ed Thomas (sem partido), ao secretário municipal de Meio Ambiente, Fernando Luizari Gomes, e à secretária municipal de Finanças, Célia Marisa Molinari de Mattos, recomendando a observação da pontualidade nos pagamentos à Cooperlix e a avaliação da possibilidade de se decretar prioridade nos pagamentos à cooperativa, conforme previsto na Lei de Licitações.
Além disso, Gabriel Lino de Paula Pires ainda solicitou apoio do Movimento Nacional de Catadores de Material Reciclável na orientação de um trabalho de aperfeiçoamento da gestão na Cooperlix.
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