Professores da rede pública do Rio abraçam missão de educar as crianças contra o racismo


Desde 2003, o país tem uma lei que determina a obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas. Mas, 20 anos depois, a implementação desse conteúdo na prática continua sendo um desafio. Professores da rede pública do Rio abraçam missão de educar as crianças contra o racismo
Jornal Nacional/Reprodução
No Rio, professores da rede pública abraçaram a missão de educar crianças contra o racismo.
Dá para dizer que a aula da professora Shirley Machado é cheia de exercícios para o olhar. Do olhar para o passado, para as raízes.
Professora: “O que você sente quando coloca essa coroa na cabeça?”
Aluna: “Uma rainha.”
Olhar para o outro, que é diferente. Ou para si mesmo.
Repórter: “O que você gosta nessa boneca?”
Aluna: “Ela é igual a mim.”
Shirley é professora há mais de 20 anos. Ela trabalha em uma escola de educação infantil da rede municipal do Rio, que atende principalmente crianças que vivem nos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte.
“A gente tem muita criança com dificuldade de aprendizagem, porque é um racismo que vem desde a infância e, às vezes, vem trazendo, muito carregado, a questão familiar dos seus valores. As crianças ganhando esse empoderamento. Isso é muito importante, porque ressignifica a vida e isso prepara eles para esse futuro que vem. É o agora, é o depois, é o amanhã. Essa é a ideia”, afirma ela.
Desde 2003, o país tem uma lei que determina a obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas. Mas, 20 anos depois, a implementação desse conteúdo na prática continua sendo um desafio.
“A gente ainda tem umas lacunas para vencer, do entendimento com a sociedade, que as pessoas pensam que antirracismo é sobre combate à violência, mas o combate a violência é quando a gente já deixou o racismo agir”, diz a professora Joana Oscar.
Em uma escola estadual na Zona Oeste do Rio, as atividades com foco na história e cultura negras fazem parte do currículo de todo o ensino médio.
“Os nossos alunos já estão habituados da gente conversar sobre essas culturas, para que a gente possa dar o conhecimento e, a partir do conhecimento, você diminuir esse preconceito”, ressalta a professora Marivalda Moreira.
“Falar sobre a importância disso. A educação sobre isso é legal para que a gente cresça com a consciência de que racismo é algo ruim. Todos somos iguais, todos temos os mesmos direitos. Até porque, qual é a diferença aqui? Eu e meu best, entendeu?”, diz a estudante Aynoá Silvério.
O best é o amigo Wesley Narciso, que conhece de perto a necessidade de combater o racismo.
“Esses dias eu estava com a minha irmã andando na rua, aí um carro passou e jogou bebida em cima dela só por ela ser negra, e foi carro com gente branca. Eu achei uma coisa muito triste. Quando a pessoa sofre, ela sabe o quanto dói”, conta.
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