PMs são investigados por fazer segurança de preso por suspeita de lavar dinheiro de facção; empresário é suplente na Alerj


Procurado, Tiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, não respondeu ao g1. TH Jóias na época da sua prisão, em 2017; PMs estão sendo investigados por fazer a segurança dele
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18 policiais militares da ativa estão sendo investigados pela corregedoria da PM por suspeita de cumprir ordens de um homem que já foi apontado pela polícia como um dos responsáveis por lavar o dinheiro de uma facção criminosa: Tiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias.
Tiego já foi preso acusado de lavagem de dinheiro do Terceiro Comando Puro, em investigação da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD). A investigação foi aberta seis anos e seis meses depois da sua prisão, em 2017, e baseada nas conversas que foram apreendidas em seu celular.
TH Jóias recebeu mais de 15 mil votos e se tornou suplente na Alerj
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Atualmente, ele é suplente de deputado estadual pelo MDB e secretário executivo do MDB no Rio de Janeiro. Uma cerimônia no último sábado (25) marcou a posse da nova diretoria do partido. TH teve mais de 15 mil votos nas eleições de 2022.
Entre os clientes da TH Joias estavam celebridades e jogadores de futebol: Neymar e Adriano, segundo reportagem do Extra em 2017, compraram itens com TH.
Dinheiro do tráfico transformado em joias, carros e imóveis de luxo
O Ministério Público Eleitoral moveu uma ação contra o suplente e contra os pastores evangélicos Leandro Capistrano Osório e Rose Machado da Silva Osório.
O casal pediu votos para o candidato do MDB em culto na Igreja Ministério Restaurando Vidas, em Bento Ribeiro (zona norte carioca).
Na ação, a PRE pleiteia que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RJ) torne o político e o casal Osório inelegíveis até 2030 por abuso de poder econômico por meio religioso.
Em nota, a Procuradoria Regional da República da 2ª Região afirmou que os autos do caso foram enviados para o gabinete da corregedoria do TRE/RJ.
PMs investigados
Apreensões feitas em 2017, quando TH Jóias foi preso
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Os alvos da investigação interna da PM são policiais que trabalharam no setor F do 9º BPM (Rocha Miranda). Todas as denúncias são de 2016 e 2017, antes da prisão de TH.
Entre os investigados, estão:
1. Subtenente Paulo Cesar dos Santos Barros (DVP)
2. Subtenente Anderson Rangel Chagas (18º BPM)
3. Sargento Michel de Mello Martins (9º BPM)
4. Sargento Rodolfo Moraes Ferreira de Souza (9º BPM)
5. Sargento Rosemberg Lemos Maia (Recom)
6. Sargento Diego Alexandre Mendes (DGP)
7. Sargento Welinton Bezerra Duarte (40º BPM)
8. Sargento Rodrigo Soares Abdala André (9º BPM)
9. Carlos Miranda Rangel (Ex-Cabo PM)
10. Sargento Fábio Gomes Cardoso de Souza (9º BPM)
11. Sargento Fábio Vicente de Souza (15º BPM)
12. Cabo André Luiz de Souza Rocha (5ª UPP/16º BPM)
13. Sargento Marco Antônio Matheus Maia (14º BPM)
14. Cabo PM Thiago da Silva Ferreira
15. Cabo Flávio José Ferreira da Silva (18º BPM)
16. Cabo Caio Cesar Fernandes de Oliveira (39º BPM)
17. Cabo Laerte Santos Gomes (CPRv)
18. Cabo Leonardo Freitas de Carvalho (9º BPM)
19. Cabo Rodrigo Martins dos Santos (41º BPM)
De acordo com o boletim da PM, vários deles informavam a Tiego que estavam de serviço e à disposição do suspeito. Eles recebiam ordens para tocar a sirene da viatura quando estivessem na rua da casa de Tiego, que é tratado como “narcotraficante” no documento.
“Tratavam sobre quem deveria receber o acerto referente aos serviços particulares de segurança que exerciam para o narcotraficante, enquanto estavam de serviço, empregando a aparelhagem do estado para utilização diversa dos seus devidos fins”, diz um trecho do boletim interno da corregedoria destinado aos praças da Polícia Militar.
Policiais também enviaram fotos da fachada da casa de TH Jóias, para atestarem que estavam realizando a segurança de seu imóvel, que ficava na área do 9º BPM.
Alguns agentes admitiram que intensificaram o patrulhamento na rua da residência de Tiego a pedido dele. No entanto, negaram ter recebido qualquer vantagem.
Um dos investigados no 9º BPM fazia a segurança particular de Tiego e fornecia informações sobre operações policiais. No dia 25 de março de 2017, ele aparece informando a Tiego:
“Vamos ver segunda para onde vai a barca (que se refere ao carro da Patamo ou do grupo de Ações táticas, muito utilizados na repressão crime organizado), vou ficar em qap”.
O 3º sargento recebeu como resposta de Tiego: “Só dá o papo”. Na época, o policial investigado estava no Batalhão de Choque da PM.
Em uma das mensagens, o cabo Rodrigo Martins Dos Santos cumprimenta Tiego da seguinte forma: “Bom dia, chefe’.
Em seguida, ele agradece o fato de não terem apenas uma relação profissional, mas também um laço de amizade.
Já no diálogo do dia 02 de maio de 2017, o militar informa que estava na residência de “TH” o chamando de “chefão”.
Segundo a PM, essas mensagens comprovam que o militar prestava serviços de segurança ao criminoso.
Outro PM fornecia armamento para TH: uma conversa do dia 16 de setembro de 2016 revela, de acordo com a investigação da PM, que o ex-cabo Carlos Miranda Rangel enviou uma foto de um fuzil modelo AK-47, cinco carregadores e tenta negociar a compra pelo valor de R$ 55 mil.
Rangel foi condenado a cinco anos de prisão e posteriormente excluído da corporação. O g1 não conseguiu contato com a sua defesa.
Um outro agente, Fabio Gomes Cardoso de Souza, que na época era lotado no 16º BPM, manda uma mensagem para Tiego dizendo: “Pronto na Base”. Tiego responde: “Descendo”.
Um sargento, segundo a investigação, trabalhava como um “gerente administrativo” de TH, organizando a escala dos policiais que faziam a segurança pessoal do criminoso.
A investigação interna demonstrou ainda que esse mesmo policial, Welinton Bezerra Duarte, trabalhou diretamente como assessor de Tiego, com a intenção de promover a campanha eleitoral do narcotraficante.
Em um diálogo encontrado no celular de TH, que foi apreendido na época de sua prisão, um cabo da PM pergunta: “Que horas na base amanhã?” para Tiego.
Respostas
Procurado, Tiego e sua defesa não responderam até a publicação desta reportagem.
Em nota, a Polícia Militar afirmou que o inquérito já foi concluído e encaminhado ao Ministério Público do Estado.
A Corregedoria acompanha junto com o Ministério Público a apreciação para fins de medidas disciplinares contra os investigados.

Procurado, o MDB não respondeu até a publicação desta reportagem.

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