Papagaio em Ribeirão Preto ‘sofre’ com sumiço de parceira: ‘Chama por ela todo dia’, diz tutora


Segundo Thainá Cristina Nogueira, Genaro está mais quieto e triste por conta da falta que sente de Lorica. Papagaio fêmea desapareceu há um mês e ainda não voltou para casa. Tutora flagra papagaio desanimado e chamando por parceira em Ribeirão Preto, SP
Desde o sumiço de Lorica, há quase um mês, Genaro, um papagaio da espécie Amazona aestiva (papagaio-verdadeiro), tem sentido a ausência da parceira e se mostrado mais abatido por estar sozinho no viveiro que os dois dividiam, no Vila Monte Alegre, em Ribeirão Preto (SP).
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Segundo a tutora do casal, a bióloga Thainá Cristina Nogueira, de 29 anos, todos os dias, logo pela manhã, Genaro chama pela companheira. (veja vídeo acima)
“O Genaro está tristinho, ele chama por ela de manhã todo dia. Chama pelo nome, fica gritando ‘Lorica’. Estou fazendo apelo para todo mundo que eu posso, já coloquei no Instagram, espalhei cartazes e estou sem saber mais o que fazer”.
Sem Lorica, Genaro tem passado os dias sozinho no viveiro que dividiam, em Ribeirão Preto (SP)
Arquivo pessoal
O comportamento do papagaio mudou desde que a parceira sumiu. Além de chamar por Lorica, Genaro parece procurar por ela, olhando de um lado para o outro, e tem ficado mais tempo em silêncio.
A fêmea desapareceu no dia 28 de outubro, após um dos voos que era acostumada a fazer desde filhote. Até agora, a família não tem nenhuma pista de onde ela possa estar.
“Ela abriu a porta do viveiro e saiu. Eles são acostumados a voar, faço treinamento de voo livre com eles, e ela saiu. Dia 29, achei ela na árvore de uma casa aqui perto da minha, mas ela não desceu. Voltei mais tarde, porque a Lorica marca um ponto de referência para poder voltar, só que ela não voltou mais naquela árvore e também não voltou mais para casa”.
A tutora disse que chegou a ouvir de uma pessoa que alguém pegou o animal.
“Me falaram que alguém tinha pegado ela, só que a pessoa que me contou, não me falou quem pegou. Estou às cegas”.
O casal de papagaios tem três anos e está com a família de Thainá desde filhote. Os dois são legalizados e a tutora tem documentação certificada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para criação.
A fêmea também usa uma anilha no pé esquerdo, que serve para identificá-la.
Tutora de Ribeirão Preto (SP) faz apelo para volta de papagaio, que está desaparecido há um mês
Reprodução/Rede social
Parceiros desde filhotinhos
Thainá conta que Lorica foi comprada de um criadouro autorizado pelo Ibama e Genaro foi doado à bióloga por um antigo tutor, que desenvolveu uma alergia às penas do papagaio.
“A Lorica veio com 30 dias de vida. Quando estava com quatro para cinco meses, veio o Genaro. Eles têm 20 dias de diferença, A Lorica é 20 dias mais velha que ele. Desde então, eles estão juntos, nunca tiveram problema de relacionamento, se adaptaram absurdamente bem”.
Lorica e Genaro viviam juntos há três anos, em Ribeirão Preto (SP)
Arquivo pessoal
Além de Genaro, o pai de Thainá, Francisco Carlos Nogueira, de 58 anos, também tem sentido a falta de Lorica. A fêmea de papagaio é a maior companheira dele na casa e a filha conta que ele também está triste com o sumiço dela.
“Meu pai está muito magoado, muito triste. Eles criaram uma ligação muito forte, é algo que não consigo explicar. Ele gosta muito do Genaro, mas a Lorica é a companheira dele”.
Francisco Carlos Nogueira, de 58 anos, tem em Lorica, sua maior companhia
Arquivo pessoal
Espécie é monogâmica e animal pode sofrer por ausência
O sofrimento de Genaro tem explicação. De acordo com o biólogo Samuel Maria, papagaios são monogâmicos e, de fato, costumam sentir a falta do parceiro quando algo acontece.
“Os papagaios são monogâmicos. Dessa espécie, principalmente. Eles têm um par apenas na vida e só substitui em caso de morte. Alguns nem isso, não tem mais nenhum outro par”.
Casal de Papagaio passava os dias grudados antes de fêmea sumir em Ribeirão Preto, SP
Samuel explica que estes animais atingem a maturidade sexual entre dois e três anos, justamente a idade do casal de papagaios de Thainá.
“Quando um morre ou quando voa, nesse caso, realmente a chance de ele sofrer é muito grande, porque ele sente muita falta por ser monogâmico”, conta o especialista.
Casal de papagaios de Ribeirão Preto (SP) está junto há três anos: espécie é monogâmica, segundo biólogo, e parceiro pode sofrer com ausência
Arquivo pessoal
Voo livre precisa ser supervisionado
Por ser bióloga, Thainá tem conhecimento das técnicas de voo livre e sabe como elas precisam ser realizadas, mas a prática é arriscada e é necessário preparo.
Um dos pontos de atenção, segundo Samuel, é que animais criados desta maneira não podem, por exemplo, ficar sem supervisão.
“No voo livre, você tem de começar colocando uma cordinha no pezinho dele, ele voa, volta. E sempre ficar em observação, nunca pode deixar sozinho, nunca. Se deixou sozinho, a chance de [alguém] pegar, é muito grande. Tem de ficar sempre com supervisão”.
Thainá conta que quando adquiriu o casal de papagaios, fez uma conta em um rede social, justamente, para eles se tornarem conhecidos e, caso se perdessem, alguém pudesse entregá-los à família.
Ela acredita que Lorica vá voltar, mas tem pedido ajuda para vizinhos e amigos e reforçou os apelos também na internet.
“Eu e minha mãe, a gente vai ficar feliz, óbvio, com o retorno dela, mas para o meu pai e para o Genaro, vai ser a maior felicidade”.
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