Paciente morre na UPA do Jardim Guanabara à espera de transferência para vaga de internação em hospital


Idoso conseguiu leito de internação, mas não obteve remoção a tempo, em Presidente Prudente (SP). Idoso morre em UPA à espera de transferência para vaga em hospital
Um paciente, de 79 anos, morreu à espera de transferência para um hospital na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Guanabara, em Presidente Prudente (SP).
Segundo o Conselho Municipal de Saúde, o paciente chegou na segunda-feira (20) com um quadro respiratório gravíssimo de pneumonia e foi solicitada a transferência via Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross).
A vaga foi liberada na tarde desta terça-feira (21), devido a gravidade do caso do idoso. O Conselho ainda afirmou que havia uma ambulância disponível, mas estava sem ar condicionado, e por conta da chuva, não convinha andar com a viatura sem ar. Portanto, apesar do homem conseguir a liberação, não foi levado a um hospital e faleceu durante a madrugada.
A fiscalização do Conselho de Saúde afirmou que das 11 ambulâncias da central do município, apenas duas estão funcionando e uma delas está com o ar condicionado quebrado.
“Em setembro, nossa comissão de fiscalização esteve aqui e notificamos o secretário [Breno Casari]. Tinha quatro viaturas circulando e não deixou a população desguarnecida. Porém, de setembro para cá, passou-se dois meses e a situação piorou: agora tem duas viaturas circulando. Ou seja, uma não tem ar condicionado e a cidade está desguarnecida. A gente vai ter que notificar a Prefeitura, notificar o secretário e, se possível, notificar o Ministério Público. Eu liguei para o secretário e ele me afirmou que estava na concessionária resolvendo problemas de algumas viaturas que estavam lá e hoje, na parte da tarde, ele me daria uma resposta de quanto tempo demoraria para colocar essas viaturas para circular”, disse Renato Cordeiro, presidente da comissão de fiscalização do Conselho Municipal de Saúde de Presidente Prudente.
Familiares de pacientes que já passaram pela espera por uma transferência e por uma ambulância que os leve até um ponto de atendimento, também comentaram o quando é agoniante este aguardo.
“Cinco dias esperando a vaga do Cross. Foi agoniante porque ele ficou com dor, a pressão dele subiu, ficou ansioso, e a gente ficou aguardando”, contou a promotora de vendas Patrícia Nobrega.
“Ele passou mal desde manhã, liguei na ambulância, eles falaram que tinham duas ambulâncias e eu tinha que esperar desocupar uma para socorrer ele. Eu falei: eu preciso da ambulância agora, que ele está tendo um infarto. Depois que eu gritei e fiquei no desespero, minha sogra ligou lá, eles acharam ruim. Maltrataram minha sogra para depois que o bombeiro chegou, mandar a ambulância e mesmo assim meu marido teve um infarto. Estava num começo de infarto e teve que colocar oxigênio nele e tudo”, disse Keila.
Segundo o Consórcio Intermunicipal do Oeste Paulista (Ciop), que administra as UPAs de Presidente Prudente, 26 pacientes aguardam vagas para os hospitais da região, e outros 17 estão em observação. Os números são uma soma dos pacientes que estão nas duas upas do Jardim Guanabara e do Ana Jacinta.
Paciente idoso morreu na UPA do Jardim Guanabara, em Presidente Prudente (SP)
Leonardo Jacomini/g1
Ação do Legislativo
A Câmara de Vereadores de Presidente Prudente já realizou oito oitivas com sete donos de oficinas que prestam serviço de manutenção de ambulâncias para a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), no fim do mês de outubro.
Os parlamentares questionaram os motivos de, desde maio, existir uma empresa terceirizada contratada para administrar o financeiro da Sesau.
Segundo os fornecedores, na época, havia um atraso de pagamento de 45 a 75 dias, isso quando havia pagamento.
A demora do conserto, segundo eles, é por falta de repasse na data correta.
A comissão da câmara foi formada pelos vereadores Demerson Dias (PSB), Douglas Kato (PTB), Mauro Neves (PODE) e Joãozinho da Saúde (DEM).
Ainda segundo os vereadores, em uma denúncia, os pacientes disseram ter esperado mais de nove horas por atendimento.
A TV Fronteira procurou o secretário municipal de saúde, Breno Casari, mas ele não pôde se manifestar sobre o assunto pois estava no distrito de Ameliópolis.
O g1 solicitou à Prefeitura de Presidente Prudente, nesta quarta-feira (22), um posicionamento oficial sobre o assunto, mas até o momento desta publicação não obteve resposta.
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