No Pará, bebê nasce com 440 gramas e supera batalha após 123 dias de UTI: ‘milagre’, diz mãe


Íris nasceu quando a mãe estava com 26 semanas de gestação, cerca de 6 meses. Hoje, reencontra a irmã gêmea e segue para casa. No Pará, bebê nasce com 440 gramas e supera batalha após 123 dias de UTI
Letícia Rassy
Após quatro meses internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, em Belém, a pequena Íris, recebeu alta nesta sexta-feira (24). Íris nasceu com prematuridade extrema, no dia 24 de julho, com 26 semanas de gestação ( mais ou menos seis meses) e pesando 440 gramas. A irmã gêmea, Esther, nasceu com 865g.
Enquanto Esther teve alta no dia 23 de outubro, com 91 dias, Íris precisou ficar. Hoje, 123 dias depois, ela sai do hospital pesando 2,5 kg.
Para a mãe, as bebês representam milagre em sua vida.
“Uma bebê de 440g e outra de 865g, e manter a esperança todos os dias de que você vai levar elas para casa, só Deus para nos sustentar e nos dá esse grande milagre que é a Íris e a Esther”, relata a mãe das gêmeas, Delisa Pinheiro.
A saída do hospital foi marcada por um corredor de balões brancos e uma plaquinha com a mensagem de “venci a prematuridade” e, claro, muita emoção.
No Pará, bebê nasce com 440 gramas e supera batalha após 123 dias internada
Agora, a pequena Íris segue a jornada de crescimento e desenvolvimento em casa.
“Hoje é dia de ter minhas bebês em casa, juntas, pela primeira vez, depois do útero. É dia de agradecer porque só Deus sabe tudo o que passamos nesses quatro meses que estão sendo completados hoje. Ele abençoou essa equipe que não tinha hora para discutir e tomar as melhores decisões. Não tem como explicar esse sentimento de carregar e levar as minhas filhas para casa”
Brasil no ranking mundial de prematuridade
Íris tem alta justamente no Novembro Roxo, mês de conscientização sobre a prematuridade.
O Brasil é o 10º país no ranking mundial de nascimentos prematuros e registra anualmente cerca de 340 mil bebês que nascem antes de completar 37 semanas de idade gestacional.
Gravidez na adolescência, ausência de pré-natal, doenças relacionadas à gestação e à desinformação são alguns dos principais motivos dos altos índices de parto prematuro no Brasil, segundo um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF/2021).
Em 2022, o Pará totalizou 15.869 nascimentos prematuros (janeiro a dezembro). De setembro de 2022 a setembro de 2023, o estado registrou o nascimento de 12.230 bebês prematuros.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, “o crescimento das taxas mostra a necessidade de maior atenção na assistência pré-natal e na intervenção precoce, fortalecendo a saúde das mães e crianças paraenses e oportunizando um nascimento sadio”.
Os nascimentos prematuros cresceram cerca de 16% entre 2011 e 2021, segundo levantamento do Observatório de Atenção Primária à Saúde da Umane, com base nas informações mais recentes do Sistema Nacional de Nascidos Vivos (Sinasc).
Segundo especialistas, o valor se explica tanto pela melhora no padrão de registro desses nascimentos quanto pela pandemia, que acentuou a falta de um pré-natal adequado. Outro fator é a maior incidência de cesáreas.
Novembro Roxo
Este mês, a atenção é voltada para a campanha Novembro Roxo, que aborda causas e consequências do nascimento prematuro.
O tema deste ano é “Pequenas ações, grande impacto: contato pele a pele imediato para todos os bebês, em todos os lugares”, que enfatiza os benefícios do contato pele a pele precoce entre o recém-nascido e seus pais, especialmente para bebês prematuros extremos.
Diante disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e as instituições que compõem a Aliança Global para o Cuidado do Recém-nascido (GLANCE), incluindo a ONG Prematuridade.com, que representa o Brasil nessa rede, escolheram enfatizar o tema em 2023.
“O pele a pele precoce só traz benefícios para o bebê prematuro, tanto no momento do nascimento, quanto a longo prazo. E quanto menor a idade desse bebê, a necessidade desse contato com a mãe e com o pai é ainda maior. E isto é comprovado cientificamente, por isso, a Organização Mundial da Saúde e todas as instituições que compõem a Aliança Global para o Cuidado do Recém-nascido escolheram trazer esta temática novamente em 2023”, explica a médica pediatra e neonatologista, Tattiana Alvarez.
Principais causas de parto prematuro
Bolsa rota/ruptura prematura de membrana (RUPREME ou ROPREMA)
Hipertensão materna
Insuficiência istmo-cervical
Descolamento prematuro da placenta
Placenta prévia
Malformações uterinas
Infecções uterinas
Gestação múltipla
Fertilização in vitro
Malformações fetais
O bebê prematuro
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), todo bebê que nasce com menos de 37 semanas de gestação (36 semanas e 6 dias) é considerado prematuro, ou pré-termo.
Os bebês prematuros podem ser classificados de acordo com a idade gestacional ao nascer, sendo:
Prematuros extremos: aqueles que nascem antes das 28 semanas
Muito prematuros: entre 28 e 31 semanas
Moderados: os que nascem entre 32 e 36 semanas de gestação
Além disso, com relação ao peso de nascimento, os bebês podem ser divididos em:
Baixo peso: menos de 2,5kg (2.499g ou menos)
Muito baixo peso: menos de 1,5kg (1.499g ou menos)
Extremo baixo peso: aqueles com peso menor que 1kg (999g ou menos)
Características do prematuro
Geralmente tem baixo peso ao nascer
Pele fina, brilhante e rosada
Veias visíveis
Pouca gordura sob a pele
Pouco cabelo
Orelhas finas e moles
Cabeça desproporcionalmente maior do que o corpo
Musculatura fraca e pouca atividade corporal
Poucos reflexos de sucção e deglutição (sugar e deglutir)
Principais complicações
Problemas respiratórios
Complicação cardíaca
Complicação intestinal
Hemorragia cerebral
Retinopatia
Sobrevivência e sequelas
As possibilidades de sobrevida estão condicionadas a idade gestacional, o peso ao nascer e as complicações que o bebê prematuro apresenta.
Existem fatores que aumentam o risco de sequelas, e, algumas dessas incapacidades só poderão ser diagnosticadas durante a infância.
Taxas de sobrevivência:
Prematuros de 22 semanas – sobrevivência de 2% a 15%.
Prematuros de 23 a 25 semanas – 23 semanas têm taxa de sobrevivência entre 15% e 40%; com 25 semanas é em torno de 55% a 70%.
Prematuros de 26 a 28 semanas – taxas de sobrevivência são de 75% a 85%.
Prematuros de 29 a 32 semanas – taxa de sobrevivência é entre 90% e 95%.
Prematuros de 33 a 36 semanas – taxa de sobrevivência é maior do que 95%.
Idade Cronológica x Corrigida
A “idade cronológica” é a idade real que o bebê tem, o tempo de vida dele depois do nascimento. Por exemplo: um bebê que nasceu dia 10 de Abril terá 3 meses de idade cronológica no dia 10 de Julho.
A “idade corrigida” é a idade ajustada ao grau de prematuridade. É a idade que o bebê teria se tivesse nascido de 40 semanas.
Por que utilizar a idade corrigida?
É preciso levar em consideração que quando o prematuro nasce, ele é submetido a várias situações adversas ainda na UTI e, o que influenciará no padrão de crescimento.
Sendo assim, utilizamos a “idade corrigida” para avaliar de forma mais adequada o desenvolvimento físico, intelectual e comportamental até mais ou menos os três anos da criança.
Nutrição
Em função da imaturidade do trato gastrointestinal dos prematuros e da falta de reflexos de sucção e deglutição, eles podem precisar receber suas primeiras calorias por via intravenosa ou sonda, mas ainda assim, a amamentação é possível e imprescindível.
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