Moradores registram rachaduras em ruas e residências a 3km de prédio que desabou em Gramado


No bairro Piratini, asfalto da Rua Prefeito Nelson Dinnebier rompeu e casas estão com avaria. Obra com detonação de explosivos é apontada como causa da situação. Prefeitura suspendeu as obras para avaliar se as rachaduras têm relação com as detonações. Morador registra rachaduras pelo chão em rua de Gramado
Moradores do bairro Piratini, em Gramado, na Serra do Rio Grande do Sul, relatam a presença de rachaduras em residências, tremores de terrenos e movimentação do solo após uso frequente de explosivos para detonar pedras em obra para abertura de uma via na região.
A prefeitura informou, nesta sexta-feira (24), que suspendeu as obras de forma preventiva para avaliar se as rachaduras têm relação com as detonações.
O advogado Aldairton Carvalho, representante de pelo menos 30 moradores afetados, diz que a situação ocorre há pelo menos oito meses, mas, em decorrência das chuvas, foi agravada. O bairro Piratini fica a 3,5 quilômetros do local onde um prédio desabou na quinta (23).
Na Rua Prefeito Nelson Dinnebier, a residência de André Wazlawick foi uma das afetadas pelas detonações de dinamites. Veja, no vídeo acima, como ficou a rua.
Abertura de via acima do bairro Piratini, em Gramado, na Serra do RS
Dinarci Borges/Divulgação
Ele relata que algumas casas do bairro estão comprometidas, correndo risco de desabar. O prédio de três andares em que Wazlawick mora sofreu rachaduras nas paredes e descolamento de piso, mas o que o deixou em alerta foi a movimentação do solo.
“A movimentação é perceptível. Não é o prédio sozinho que mexe, mas a rua em si. A rocha que estão quebrando para abrir a estrada se move e empurrou o terreno cerca de 30 centímetros para dentro do asfalto. A impressão é de a montanha estar indo para frente”, conta Wazlick, que reside a 300 metros de onde ocorrem as obras.
A Defesa Civil de Gramado informou que as rachaduras e movimentações de terreno desta rua não teriam relação com as obras com detonação de explosivo. E aponta o acumulo de chuvas no solo e a movimentação de massa como causa do episodio
Em nota, Carvalho, advogado representante dos moradores afetados, salienta a necessidade de uma resposta do Executivo, em relação ao contexto de risco aos residentes do bairro. A expectativa é que os moradores sejam indenizados pelo município.
“Estamos contratando empresa técnica especializada (em geologia) e também de engenharia, para a precisa identificação da causa, bem como extensão dos danos físicos ocorridos nos imóveis, casas residenciais e prédios comerciais urbanos, para, a depender das conclusões dos respectivos laudos técnicos, submeter tais fatos ao crivo do Órgão Judicial, onde será buscado o reconhecimento devido, e as consequentes indenizações, uma vez comprovada a responsabilidade civil do Município”.
Estado de calamidade
Na manhã desta sexta-feira (24), a prefeitura de Gramado decretou estado de calamidade.
De acordo com o prefeito de Gramado, Nestor Tissot (PP), 546 pessoas estão fora de casa na cidade – principalmente no bairro Três Pinheiros, onde cerca de 120 famílias precisaram sair de suas residências.
“[Quantidade de água nunca vista, principalmente no bairro Três Pinheiros. A água foi o fenômeno que ocasionou todos esses deslizamentos. Muita quantidade de chuva durante o ano acumulada no solo. Chegou um momento em que ela disse ‘vou ter que sair, estão me prendendo aqui o ano inteiro’ e começou a sair. Junto com ela está vindo o desabamento, as rachaduras”, explicou o prefeito em entrevista coletiva na manhã desta sexta.
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