Mãe dá à luz em hospital improvisado em cidade afetada por cheia histórica no Acre


Bebê Luidy e a mãe foram transferidos para Rio Branco para melhor atendimento. Hospital do Jordão precisou ser evacuado após ser alagado pelas águas do Rio Tarauacá. Unidade provisória foi montada no prédio da Secretaria de Assistência Social. Bebê nasceu prematuro e precisou ser transferido para Rio Branco
Arquivo/Asscom Sesacre
Uma moradora da zona rural de Jordão, interior do Acre, entrou em trabalho de parto e deu à luz um menino prematuro no prédio da Secretaria de Assistência Social do município, onde foi montada uma unidade de saúde provisória. O parto foi feito na madrugada desta segunda-feira (26).
A cidade teve cerca de 80% de sua área urbana alagada pelo Rio Tarauacá. A enchente é considerada histórica e afetou mais de 5 mil moradores. Veja atualização do nível do rio abaixo.
O motorista de barco Elias Santos, de 24 anos, contou que a mulher entrou em trabalho de parto por volta das 2h desta segunda. A família mora na Comunidade Maria Correia, distante 25 minutos de barco da zona urbana.
“Quando cheguei, vi que o posto não estava funcionando, rodei a cidade para saber onde estavam atendendo com o posto de saúde. Uma pessoa me informou que era aqui na Assistência Social e quando cheguei perguntei pela doutora e falaram que era aqui mesmo”, relembrou o pai da criança.
Hospital improvisado foi montado no prédio da Secretaria de Assistência Social
Arquivo/Asscom Sesacre
Mãe foi transferida
Albaniza Neves e o bebê, chamado de Luidy, precisaram ser transferidos de avião para Rio Branco após o parto,por conta de algumas comorbidades da mulher. A médica Hellem Chagas, responsável pela Unidade Mista de Saúde do Jordão, destacou que deu tudo certo no parto, contudo, está sem equipamentos e acessórios para fazer exames.
“Ocorreu tudo certo, apesar da instalação não ser a mais adequada. Também farei a transferência dela para Rio Branco pelo fato do RN [recém-nascido] ser prematuro e exige cuidados que aqui não temos”, contou.
Ainda segundo a médica, o bebê nasceu com dificuldade respiratória e com batimentos cardíacos fracos. Logo após o nascimento, a equipe fez manobras de reanimação neonatal. “Eu e minha equipe, os técnicos de enfermagem, demos toda essa assistência na reanimação com oxigênio, com manta aquecida, fornecendo calor”, destacou a médica.
Hospital Geral do Jordão foi evacuado após águas do Rio Tarauacá invadirem unidade
Enchente em Jordão
No último sábado (24), as águas chegaram ao Hospital Geral Dr. Márcio Rogério Camargo, onde havia cinco pessoas, entre elas outra mulher grávida. Em uma ação imediata, os pacientes foram levados para o prédio da Secretaria de Assistência Social do município.
Além da Albaniza, outra mulher foi transferida para a capital por conta da falta de equipamento na unidade de saúde. A paciente também é uma grávida, com data prevista de parto, mas cujo bebê não estava na posição correta.
O secretário de Saúde, Pedro Pascoal, que estava na cidade ajudando na assistência aos pacientes, ajudou na transferência. “O secretário levou ela para a maternidade de Rio Branco”, resumiu a médica.
A alagação danificou uma ambulância, medicamentos e equipamentos da unidade. As águas avançaram cerca de um metro dentro do hospital. A enchente também chegou à Unidade Básica de Saúde (UBS) Antônio Rodrigues Dourado, na delegacia da cidade e no posto de saúde da Comunidade Novo Porto, na zona rural. As informações repassadas à prefeitura são de que houve perda total no posto.
FOTOS: Hospital geral do Jordão foi tomada pelos águas do rio e precisou ser evacuado
Águas começam a baixar
Nesta segunda-feira (26), o nível do Rio Tarauacá começou a baixar no Jordão. Às 17h, o manancial marcava 5 metros, baixando mais de 4 metros entre domingo (25) e essa segunda.
Com a vazante, os moradores foram autorizados a voltarem para casa. Conforme a prefeitura, 1.701 moradores ficaram desabrigados e desalojados durante a enchente histórica
144 famílias desabrigadas, totalizando 631 pessoas em abrigos
214 famílias desalojadas, com 1.070 pessoas
107 famílias indígenas desabrigadas, com 437 indígenas nos abrigos
5 mil pessoas atingidas diretamente, sem energia elétrica, água potável, sem internet
Sete abrigos foram montados em escolas municipais e estaduais e órgãos
98% da área comercial atingida
Os quatros bairros da cidade (Centro, Bairro Novo, Alfredo Suero Sales e Bairro Kaxinawá) ficaram alagados.
O prefeito Naudo Ribeiro decretou situação de emergência na cidade por conta da cheia.
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