Reservatório da Casan que rompeu em Florianópolis teve falha na construção do tanque, diz perícia


Detalhe que teria causado ruptura pode estar em estrutura construída com diâmetro menor e espaçamento maior que o previsto no projeto. Construtora declarou que não tem como se manifestar porque não teve acesso aos laudos periciais. Reservatório de água rompido em Florianópolis
Alexandre Vieira/ PMF
A perícia sobre a causa do rompimento de um reservatório de água em Florianópolis em setembro deste ano apontou que houve erros durante a construção da estrutura e na fiscalização. A Polícia Científica detalhou os resultados para a comissão mista criada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) para analisar o caso.
O rompimento do reservatório ocorreu em 6 de setembro no bairro Monte Cristo, na periferia de Florianópolis. Após a estrutura ceder, mais de 2 milhões de litros d’água invadiram casas, ruas, lojas e carros. Duas pessoas ficaram feridas e 386 foram atingidas diretamente. O reservatório era da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), empresa pública.
✅Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santa Catarina no WhatsApp
Vídeo mostra momento em que reservatório de água rompe em Florianópolis
As informações sobre o resultado da perícia foram dadas na terça-feira (21) pelo superintendente regional da Polícia Científica em Florianópolis, perito Cassiano Fachinello Bremm.
O trabalho fez medições e analisou as diferenças entre o projeto elaborado para o reservatório e o que foi executado pela construtora.
A possível execução da obra em desconforme com o previsto no projeto já havia sido sinalizada pelo engenheiro Paulo Henrique Wagner, responsável pela elaboração. Na mesma comissão da Alesc, em 7 de novembro, ele disse que a obra foi executada com cerca de 10 toneladas de aço a menos do que o planejado.
Imagens aéreas mostram destruição de comunidade após rompimento de reservatório em SC
Carros, ruas e 92 casas foram afetadas após rompimento de estrutura da Casan
André Lux/NSC
Para a Polícia Científica, não há falhas evidentes no projeto. “Não quer dizer que não haja falhas [no projeto], mas não há falhas grosseiras”, afirmou.
Pelas conclusões da Polícia Científica, houve “falha clara de execução do projeto, especialmente na armadura de ligação dos pilares com as cortinas de concreto [paredes]”. Houve, ainda, falha na fiscalização, pois, conforme Bremm, “o erro era facilmente identificado”.
Falha principal
A falha que seria a principal causa do rompimento, conforme relatado pelo perito, está nos estribos, que foram executados de forma errada, com diâmetro menor e espaçamento maior do que o previsto no projeto, e nas barras de negativo, que deveriam ser de 16 milímetros a cada 15 centímetros, mas não foram encontradas durante a perícia da Polícia Científica. “A gente entende que essa combinação é a causa desse descolamento da parede”, afirmou.
Sobre a qualidade o concreto utilizado no reservatório, Bremm informou que o material analisado em laboratório apontou resultados não satisfatórios com relação à resistência. Porém, para a perícia, mesmo com resistência mais baixa, a qualidade do concreto não seria a causadora do rompimento.
Cerca de 2 mil metros cúbicos de água vazaram do reservatório e atingiram a região. De acordo com a Casan, o reservatório funcionava há dois anos, atendendo 80 mil pessoas.
O g1 entrou em contato com o Ministério Público de Santa Catarina para saber sobre o andamento da investigação nesse órgão e não havia obtido retorno até a última atualização desta reportagem.
O que diz a construtora
A Construtora Gomes & Gomes LTDA declarou que não tem como se manifestar porque não teve acesso aos laudos periciais.
O que diz a Casan
A Casan disse em nota que vai se manifestar quando houver a finalização da apuração. A estatal diz que o trabalho da Polícia Científica “faz parte desse processo e não há uma conclusão ainda da investigação”.
“Há pelo menos duas frentes principais de investigação. Uma delas é um inquérito aberto pela Polícia Civil e Polícia Científica, e a outra frente caberá ao Ministério Público de Santa Catarina”, diz em nota.
O que diz a Polícia Civil
A Polícia Civil de Santa Catarina disse em nota nesta quinta (23) que o inquérito policial sobre o rompimento do reservatório está em andamento. “Até o momento já foram ouvidas sete pessoas e, dadas as complexidades dos exames periciais envolvidos, não há data prevista para a conclusão do IP [inquérito policial]”.
Comissão
A comissão é mista, e não uma CPI. Ela não teve como acusar ou de convocar alguém para depor. Antes, havia sido ouvido o engenheiro Paulo Henrique Wagner, responsável pela elaboração do projeto do reservatório.
O diretor-presidente da Casan, Edson Moritz Martins da Silva, será novamente convidado a comparecer na comissão na próxima terça (28) para prestar esclarecimentos. Ele já havia sido chamado e foi na primeira reunião com depoimentos, em 31 de outubro, de acordo com a assessoria do deputado Mário Motta (PSD).
Na próxima terça, também devem participar o representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Rodrigo Timm, e o representante da Comissão dos Atingidos, João Pedro Moraes.
Para 5 de dezembro, está prevista a presença do engenheiro projetista da Casan, Hugo Rohden. Nesta mesma semana, devem ser convidados também os profissionais da Construtora Gomes & Gomes Ltda.
Na próxima reunião da comissão, na terça, deve ser informado o prazo para finalização dos trabalhos dos parlamentares.
✅Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santa Catarina no WhatsApp
VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
Adicionar aos favoritos o Link permanente.