Investimento de R$ 3 milhões deve incentivar bem-estar animal na produção de leite de multinacional em MG; entenda como


Programa treinará produtores e fazendas da região em busca de impacto positivo na sustentabilidade e desenvolvimento da cadeia leiteira. Entenda como vai funcionar. Uma multinacional anunciou nesta quinta-feira (23) em Poços de Caldas (MG) um investimento de R$ 3 milhões em um compromisso voltado à promoção do bem-estar animal na cadeia de produção de leite. O projeto envolve treinamento direcionado às fazendas parceiras do Sul de Minas.
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Segundo a Danone Brasil, todo leite usado na produção de alimentos e bebidas da multinacional é coletado e fabricado no Sul de Minas.
O incentivo financeiro na região complementa aportes já realizados pela multinacional em projetos de agricultura regenerativa, totalizando mais de R$ 2 milhões desde 2019.
Multinacional investe R$ 3 milhões para incentivar bem-estar animal na produção de leite no Sul de MG
Shutterstock
Uma das fazendas produtoras fica em Botelhos (MG). Por lá, a produção leiteira começou na casa dos 50 litros. Atualmente, propriedade conta com 560 vacas que produzem, em média, cerca de 38 litros/dia, atingindo por volta de 20 mil litros/dia.
Segundo o produtor rural Maurílio de Souza Siqueira, um dos principais motivos do crescimento na produção é a preocupação constante com as necessidades da vaca, como conforto, limpeza e ventilação.
“Eu sempre falo para os funcionários, quem que é o patrão aqui? O ‘patrão’ é a vaca. Então, tem que fazer de tudo para que a vaca produza mais. Para ela produzir mais, você tem que dar conforto para ela”, explica.
Como funcionará o programa?
A iniciativa ‘Fazenda Tudo de Bem’ deve ajudar na transição dos produtores de leite do Sul de Minas para as práticas mais sustentáveis.
Dados apontam que as fazendas mais eficientes emitem 50% a menos de carbono. Além disso, para a gestão da multinacional, a lucratividade e a produtividade podem ser comparadas:
“Se você pegar a lucratividade de uma fazenda sustentável, é 24%. Já uma fazenda não sustentável, é 12%. Quanto a produtividade de uma fazenda não sustentável, é 18 litros por vaca/dia e, de uma produtiva e sustentável, é 30 litros por animal/dia. Então, é completamente diferente”, explica Leonardo Siman, gerente de Compras do Leite.
Inicialmente, será lançado um projeto-piloto envolvendo 20% das fazendas leiteiras parceiras da região. Após validado, o modelo poderá ser replicável e, assim, ampliado para a adesão de demais produtores.
Veja cada etapa do desenvolvimento:
👨‍🌾 Treinamento: As fazendas e produtores parceiros do Sul de Minas receberão uma capacitação especializada para melhorar as práticas sustentáveis e agradáveis aos animais;
🐄 Mensuração: Será incentivada uma padronização do autocontrole de práticas de bem-estar animal com base em padrões reconhecidos nacional e internacionalmente;
🧬 Ciência e Genética: Em parceria com empresas especializadas em genética, o programa de melhoramento genético dos animais também será fomentado.
Segundo o diretor de Compras Henrique Borges, a capacitação é essencial porque, além de tornar mais produtivo, ajuda a gerar outros impactos quando se valoriza o bem-estar animal:
“[Produtores] entregam um leite com melhor qualidade, reduzem a pegada de carbono e preservam o meio ambiente”.
Multinacional investe R$ 3 milhões para incentivar bem-estar animal na produção de leite no Sul de MG
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Por que no Sul de Minas?
“A gente só coleta leite no Sul de Minas. A gente brinca que é uma empresa ‘franco-mineira’. […] Se estamos aqui, coletamos leite aqui, onde é que a gente tem que desenvolver? É aqui. […] Eu acho que muda a vida da região. Acho que Minas tem um pouco de vocação para agronegócio. E eu acho que a gente tenta de alguma forma apoiar isso”, explica
A expectativa é que após ser validado com os produtores sul-mineiros, o programa seja disponibilizado para todas as indústrias lácteas interessadas em implementar práticas de bem-estar animal no país.
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