Famílias que deixaram imóveis após ordem judicial em Maceió denunciam arrombamentos em casas


Imóveis ficam na região afetada pela mineração, foram interditados e moradores não podem retornar para eles. Moradores que deixaram casas sob ordem judicial denunciam arrombamento dos imóveis
Moradores que ainda viviam na região afetada pela mineração em Maceió e tiveram que deixar suas casas depois do alerta de risco de colapso na mina do Mutange, denunciam que tiveram os imóveis arrombados após a saída às pressas, na madrugada do dia 30, sob ordem judicial.
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A Justiça Federal determinou a desocupação de 23 residências nas áreas mais próximas do Mutange, como Bom Parto e Bebedouro. A ordem, com autorização para uso de força policial em caso de resistência, atendeu a um pedido do Ministério Público Federal (MPF). Mais de 14 mil imóveis já foram desocupados na região desde que o problema começou, em 2018.
Andrea Carla foi uma das moradoras que precisou deixar a casa onde morava. Ela só teve autorização para retirar alguns pertences, todo o resto foi deixado no local. Depois disso, ela retornou algumas vezes para verificar se estava tudo bem, foi quando percebeu o arrombamento.
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“Observei que a casa vizinha, que era da minha mãe, tinha sido arrombada. Essa casa hoje, já é da Braskem. Arrombaram a casa dela para ter acesso à minha, pelos fundos”, relatou Andrea.
Ela só conseguiu entrar no imóvel para verificar os prejuízos, coma chegada da Defesa Civil, que removeu o lacre. A moradora encontrou todas as janelas abertas e parte da cerca de proteção foi cortada. “Levaram a bicicleta do meu filho, o botijão de gás que estava na parte de trás e um cortador de grama”.
Invasores fizeram um buraco no muro de uma das casas
Reprodução/TV Gazeta
Um outro morador também teve a casa invadida por criminosos. José Fernando disse que levaram as jóias da família. Um prejuízo de mais de R$ 20 mil.
“Chegamos aqui no sábado para retirar os pertences, coisas pequenas, e encontramos a casa arrombada. Tiraram a grade, quebraram a janela, puxaram o ferrolho e abriram”, disse José Fernando do Carmo.
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Os moradores cobram segurança para que a casa deles permaneça do mesmo jeito que deixaram. “Nós queremos o mínimo de segurança para as coisas da gente”, disse o aposentado.
Imóveis foram interditados em Maceió
Reprodução/TV Gazeta
A Braskem informou que mantém a vigilância patrimonial privada nas áreas desocupadas dos bairros. A mineradora disse ainda que, embora execute as atividades de vigilância patrimonial privada/ não possui poder de polícia.
A Defesa Civil informou que foi a Justiça quem determinou a desocupação dos imóveis. Já a Justiça Federal disse que a segurança da região é de obrigação do governo do estado.
A Polícia Militar de Alagoas informou que segue atenta e sensível às demandas de policiamento no Pinheiro e que têm estudado e planejado as ações de policiamento ostensivo em sua área de abrangência incluindo Mutange e Bebedouro. Disse ainda que entre as medidas estão o emprego de guarnições ordinárias e reforço do programa força tarefa.
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