Estudante de colégio particular recebe ataques racistas de página ‘fake’ em rede social; ‘me deu uma sensação de nojo, uma revolta que não sei falar’, diz mãe


O caso foi registrado nesta quarta-feira (22) em Uberaba. O Colégio Marista afirmou que tomou conhecimento do perfil anônimo, o denunciou imediatamente ao saber do caso e apura internamente o ocorrido. Escola diz que tomará providências.
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A mãe de uma estudante do Colégio Marista de Uberaba estava no trabalho na tarde de quarta-feira (22) quando recebeu, no grupo de pais, uma mensagem preocupante: uma página do Instagram chamada “Fofocando Marista” ataca jovens ao postar fotos de alunos do colégio. Entre as vítimas estava a filha dela, que sofreu ataques racistas.
O colégio afirmou que tomou conhecimento do perfil anônimo, o denunciou imediatamente ao saber do caso e apura internamente o ocorrido. Informou ainda que presta apoio à aluna e à família. Veja abaixo a nota na íntegra.
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Os ataques
A menina de 12 anos é a mais velha de dois irmãos que estudam na instituição. Os ataques racistas ocorrerem em uma publicação com uma foto retirada do perfil dela na rede social. A foto foi publicada na página e, na legenda, palavras como “macaco” e “suja” foram usadas.
“Na hora que recebi os prints me deu uma sensação de nojo, uma revolta que não sei te falar”, contou a mãe da vítima.
A adolescente que sofreu os ataques está bem e, segundo a mãe, é uma menina empoderada. No entanto, não há empoderamento que diminua a dor dos ataques.
“Infelizmente, a gente acaba se acostumando com esses ataques. É difícil ver pretos em locais de poder, é uma menina preta num lugar onde só tem gente branca e rica. Acha-se estranho, então atacam”, disse.
Ela ainda contou que outros alunos também sofreram ataques por serem diferentes das demais crianças, entre eles, ataques gordofóbicos que diziam que as crianças gordas eram “nojentas”.
Com a repercussão do caso no grupo de pais, todas as publicações da página foram apagadas.

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Não é a primeira vez
A mãe conta que situações do tipo são recorrentes na vida da família. Segundo ela, quando moravam em Mariana, o filho mais novo também sofreu um episódio de racismo no colégio, em 2022.
“Ele tinha quatro anos na época e chegou em casa perguntando ‘mãe, ser lama é feio?’ e eu perguntei o porquê. Foi então que ele me relatou que os colegas disseram ‘que sou feio porque sou da cor de lama’. Começaram a colocar ele de lado, agredir ele… Foi muito triste, ele é um bebê”, contou.
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O que o Marista diz
“Na mesma hora que recebi os prints eu liguei para a escola, o diretor disse que fará um registro de ocorrência, descobrir quem foi “, disse a mãe.
O g1 entrou em contato com a assessoria de imprensa do colégio, que se pronunciou por meio de nota:
“O Colégio Marista Diocesano, em Uberaba, teve conhecimento do perfil anônimo no Instagram na tarde desta quarta-feira (22). Tão logo soube do caso, a direção denunciou a página, que já está fora do ar. A instituição está em contato com a família da vítima, presta todo o apoio à aluna e apura internamente o fato.
Nesta quinta-feira (23) o colégio fará mais uma abordagem de conscientização sobre o Bullying e Cyberbullying para os alunos do Ensino Fundamental II, por meio de oficinas e rodas de conversas.
A instituição lamenta qualquer situação de discriminação e ressalta ser contra qualquer tipo de preconceito. Os valores institucionais e projeto pedagógico do colégio são pautados pelo cuidado e respeito ao outro, frequentemente estimulados em ações de formação humana e de solidariedade.
Ao longo do ano letivo são promovidas diversas ações de conscientização sobre violência no ambiente escolar, principalmente em abril e outubro, meses com data nacional e mundial de combate ao bullying. O Marista tem uma cartilha sobre Bullying e Cyberbullying, que tem como objetivo orientar sobre o assunto e é trabalhada no decorrer do ano letivo.”
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