Epagri comemora 40 anos de pesquisas em Chapecó voltadas para a agricultura familiar

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No dia 23 de novembro uma cerimônia no Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar da Epagri (Cepaf), em Chapecó, vai marcar os 40 anos de trabalho desta unidade, que foi criada para gerar tecnologias adaptadas às condições socioeconômicas, de clima e solo do agricultor familiar catarinense. O evento será às 15h e vai contar com apresentação das seguintes  tecnologias desenvolvidas no centro especializado: aplicativo Monitora Milho, cultivares de feijão e de milho, endofíticos para crescimento de pastagem, plantas de adubação verde e cobertura de solo, terraços e hidro terraços.

As pesquisas da unidade geram tecnologias adaptadas à realidade do agricultor familiar de SC – Foto: Epagri/ND

Nesses 40 anos, as principais tecnologias geradas pela Epagri/Cepaf foram incorporadas à produção sustentável de grãos, carne, leite, peixes,  frutas e erva-mate existentes nas propriedades da região, além de estudos na área de socioeconomia e administração rural. A unidade também conta com cinco laboratórios para auxiliar a pesquisa como também para prestar serviço ao agricultor, a exemplo do laboratório de solos.

“A atuação do Cepaf vem garantindo a permanência dos agricultores no campo com renda e com qualidade de vida”, destaca o presidente da Empresa, Dirceu Leite. O gerente da Epagri/Cepaf, Vagner Portes,  atribui essa conquista ao trabalho, comprometimento e multidisciplinaridade  de profissionais que compõem a  equipe do centro de pesquisa.

A Epagri/Cepaf conta com cinco laboratórios para auxiliar a pesquisa como também para prestar serviço ao produtor rural. Foto: Epagri/ND

Impacto social

De acordo com o Balanço Social da Epagri,  em  2022 as tecnologias e ações da Empresa geraram para a sociedade catarinense a cifra de R$ 4,39 bilhões. Deste total, 14% vieram de tecnologias desenvolvidas pelos pesquisadores da Estação Experimental do Cepaf, o que equivale a R$ 598,9 milhões.

Segundo o gerente Vagner, a pesquisa aplicada, o desenvolvimento de tecnologias adotáveis e a inovação para a agricultura familiar são as diretrizes diárias de trabalho do Cepaf que contribuem para o desenvolvimento rural sustentável e a melhoria da qualidade de vida dos catarinenses.

História

A história da Epagri/Cepaf começou em 1948 como um posto Agropecuário do Ministério da Agricultura (MAPA), que em 1988 foi elevado à estação experimental. Em 1983,  a partir da criação da Empresa de Pesquisa Agropecuária e SC (Empasc), a unidade de pesquisa passou a ser vinculada a esta empresa como um centro especializado para pequenas propriedades. Em 1991 a Empasc se uniu a outras empresas do Estado e formou a Epagri.

A história da Epagri/Cepaf começou em 1948 como um posto Agropecuário do Ministério da Agricultura – Foto: Epagri/ND

Desta forma, a Epagri/Cepaf está atuando há quatro décadas em Santa Catarina, fazendo pesquisa com geração e difusão de tecnologias. Considerando o início das atividades como um posto do MAPA, o evento também vai comemorar 75 anos de pesquisa agropecuária no Oeste Catarinense. “Nossa unidade produz conhecimentos considerando as realidades locais. Tem um desafio constante de  trazer inovações e soluções para os agricultores e pecuaristas das principais cadeias produtivas catarinenses, subsidiando a produção sustentável de alimentos, além de auxiliar na sucessão das propriedades”, frisa o gerente Vagner.

Tecnologias geradas

Confira algumas tecnologias geradas da Epagri/Cepaf que transformaram a agricultura familiar em Santa Catarina.

Feijão

O programa de melhoramento genético de feijão da Epagri/Cepaf lançou no mercado oito cultivares. Quatro deles estão disponíveis e são indicados para semeadura em Santa Catarina: Querência e Riqueza, do grupo carioca, e Potência e Predileto, do grupo preto. “São sementes com alto potencial de rendimento de grãos a campo, resistentes às principais doenças e mais tolerantes a estresses como a estiagem”, explica o pesquisador Sydney A. F. Kavalco.

Durante o período de safra, quando o ciclo de chuvas é mais regular, a produtividade desses feijões em Santa Catarina alcança entre 3,5 a 4 mil quilos por hectare. Na época de safrinha, que possui maiores períodos de seca, a colheita média fica entre 2,8 e 3 mil quilos por hectare. Os quatro cultivares são indicados para cultivo em todo o Sul do Brasil.

As variedades de milho de polinização aberta desenvolvidos pela Epagri/Cepaf se destacam pela tolerância a doenças e resistência à estiagem. Foto: Aires Mariga/Epagri/ND

Milho

A Epagri/Cepaf desenvolveu para a agricultura familiar três variedades de milho de polinização aberta. Batizados de SCS154 Fortuna, SCS155 Catarina e SCS156 Colorado, esses cultivares apresentam características como rusticidade, tolerância a doenças, resistência à estiagem e menor custo de sementes. Em anos com chuvas regulares e boas práticas de cultivo, eles podem chegar a 150 sacas/ha. A área de plantio no Estado está estimada em 1.300 hectares e cresce a cada ano.

Pecuária

Mais de 80% do leite e mais de 50% da carne produzidos em Santa Catarina são provenientes da região Oeste. Dentre as linhas de pesquisa da Epagri/Cepaf em pecuária, destacam-se o manejo de pastagens perenes sobressemeadas com anuais de inverno, melhoramento de pastagens anuais de inverno, introdução de leguminosas, estudo do sistema silvipastoril, controle de mastite bovina e a influência do estresse térmico na qualidade do leite.

Pecuária à base de pasto é uma das tecnologias preconizadas pelo centro de pesquisa – Foto: bovinocultura-a-base-de-pasto

Essas pesquisas são desenvolvidas para aumentar a produtividade e diminuir os custos de produção. Um modelo de produção preconizado pela Epagri/Cepaf é o sistema de produção à base de pasto, que começou a ser adotado em 2002 e em 2022 já estava implantado em quase 203 mil hectares, segundo dados do Balanço Social de Epagri de 2022.

Esse modelo  utiliza as pastagens perenes de verão como principal fonte de alimentação dos animais e é responsável pela produção de leite e carne de forma sustentável, competitiva e com alta qualidade em Santa Catarina. Ela reduz os riscos econômicos para o produtor, pois é menos dependente de insumos externos à propriedade.

Terraços

Terraços são estruturas de terra construídas transversalmente à inclinação do terreno com o objetivo de dividir a rampa em pedaços de modo que a água que escoa entre um terraço e outro não tenha nem quantidade e nem velocidade suficiente para causar erosão. Os terraços são uma verdadeira obra de engenharia agrícola para evitar a erosão do solo, que requer o emprego de conhecimentos técnicos nas áreas de solos, mecanização agrícola, meteorologia e hidrologia. Promovendo a maior retenção de água da chuva dentro da propriedade e conservando a integridade do solo.

Monitoramento da cigarrinha-do-milho

Para ajudar a cadeia produtiva no monitoramento e controle desse inseto em Santa Catarina, a Epagri/Cepaf desenvolveu o aplicativo Monitora Milho SC. O app, disponível para download gratuito, permite aos produtores rurais e técnicos acompanhar a incidência da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) em Santa Catarina para tomar decisões mais precisas sobre o manejo. A ferramenta também traz informações, atualizadas semanalmente,sobre a infectividade da cigarrinha com os patógenos do complexo do enfezamento: fitoplasma do enfezamento vermelho, espiroplasma do enfezamento pálido e vírus-da-risca.

Plantas de cobertura

Plantas de cobertura ou adubos verdes têm o papel de proteger a superfície e melhorar as condições químicas, físicas e biológicas do solo, beneficiando as culturas comerciais. A Epagri pesquisa o comportamento e as características de cada espécie para recomendar a mais adequada a cada situação.

Segundo o pesquisador Leandro do Prado Wildner, as características estudadas são: velocidade de crescimento inicial, eficiência na cobertura do solo, capacidade de reciclagem de nutrientes, sistema radicular profundo e bem desenvolvido, elevada produção de fitomassa, resistência à seca, resistência à geada, baixo nível de ataque de pragas e doenças, tolerância à baixa fertilidade, capacidade de adaptação a solos degradados e não ter comportamento de invasora.

*Com informações da Epagri.

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