‘É preciso parar a carnificina’, diz Lula sobre guerra em Gaza


Presidente defendeu que os países da Celac sejam um exemplo na construção da paz e propôs uma moção conjunta contra conflito. ‘É preciso parar a carnificina’, diz Lula sobre guerra em Gaza
Jornal Nacional/ Reprodução
O presidente Lula também comentou a situação de Gaza, em uma viagem a São Vicente e Granadinas. Durante o encontro dos países da América Latina e do Caribe, Lula pediu uma união mundial contra o que chamou de carnificina. Os enviados especiais Ricardo Abreu e Clerton Cruz acompanharam.
O primeiro compromisso dos chefes de Estado foi posar para foto oficial. Logo na chegada, o presidente da colômbia, Gustavo Petro, parou para falar com a imprensa. Questionado sobre a guerra de Gaza, ele defendeu uma declaração conjunta dos países da cúpula por um cessar-fogo.
Na sala de reuniões, o assunto também fez parte do discurso do presidente Lula. Ele voltou a criticar o volume dos gastos militares mundiais. Defendeu que os países da Celac sejam um exemplo na construção da paz e propôs uma moção conjunta contra o que chamou de carnificina em Gaza.
“A tragédia humanitária em Gaza requer de todos nós a capacidade de dizer um basta para a punição coletiva que o governo de Israel impõe ao povo palestino. As pessoas estão morrendo na fila para obter comida. A indiferença da comunidade internacional é chocante. Quero aproveitar a presença do secretário-geral da ONU, meu companheiro António Guterres, para propor uma moção da Celac pelo fim imediato desse genocídio. Já são mais de 30 mil mortos — 80% são mulheres e 8 mil crianças, além da quantidade de crianças e mulheres desaparecidas. Também as vidas dos reféns do Hamas também estão em jogo e é preciso libertá-las. Eu quero terminar dizendo para vocês que a nossa dignidade e humanidade estão em jogo, por isso é preciso parar a carnificina em nome da sobrevivência da humanidade que precisa de muito humanismo”, diz Lula.
Durante a tarde, o presidente Lula teve várias reuniões bilaterais. Segundo assessores diplomáticos do Planalto, não havia assunto mais importante no momento para se debruçar do que a guerra em Gaza. O tema também dominou a reunião de Lula com o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Outro assunto abordado por Lula foi a situação regional. Tema do encontro com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Segundo assessores, os dois trataram do combate conjunto aos garimpeiros ilegais em áreas yanomamis e no território dos dois países.
Maduro ainda falou sobre eleições no país, no segundo semestre. Apesar das pressões internacionais, inclusive do Brasil, para eleições livres e democráticas, recentemente o governo Maduro expulsou funcionários do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos e a Suprema Corte do país, alinhada com o Executivo, inabilitou a principal candidata da oposição de concorrer no pleito. Quando o Jornal Nacional perguntou sobre o processo democrático no país, Maduro disse que ia avante.
O presidente Lula embarcou no início da noite desta sexta-feira (1º) para o Brasil.
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