DPU acompanha caso de jornalista canadense e cineasta agredidos em área de conflito entre indígenas e fazendeiros em MS


Em nota, Defensoria Pública da União (DPU) informou que no mesmo dia das agressões encaminhou ofício à delegacia de Polícia Civil de Amambai, cidade onde o caso de agressão foi registrado, solicitando diligências para verificar denúncias sobre agressões à comunidade indígena Guarani-Kaiowá. Fotojornalista e cineasta denunciam agressões em Iguatemi
A Defensoria Pública da União (DPU) acompanha de perto o caso de agressões contra o fotojornalista canadense Renaud Philippe, a cineasta e antropóloga Ana Carolina Porto e o engenheiro florestal Renato Farac Galata, em uma área de conflito em Iguatemi (MS).
O trio foi agredido por um grupo de homens, alguns deles encapuzados, em uma área de conflito entre indígenas e fazendeiros, na cidade ao sul do estado. As vítimas estavam em Mato Grosso do Sul para produzir um documentário sobre o conflito fundiário entre povos originários e produtores rurais.
No documento enviado ao g1, a assessoria de comunicação da DPU explica que a defensora pública federal Daniele Osório esteve junto ao trio agredido no momento que eles prestaram queixa à polícia.
“Uma situação gravíssima e que reflete a violência a que estão submetidos os povos indígenas em Mato Grosso do Sul. O fotojornalista e a cineasta tiveram também seus equipamentos roubados pelas pessoas que os agrediram”, detalhou a defensora Daniele Osório.
Em nota, a DPU também esclareceu que o caso foi encaminhado à Polícia Federal de Naviraí (MS), “tendo e vista que o fato ocorreu em contexto de disputa de terras envolvendo comunidades indígenas da região de Iguatemi e em razão deste conflito”.
Envio de ofício
Em nota, a DPU informou que “havia encaminhado ofício à Delegacia de Amambai, solicitando diligências para verificar denúncias sobre agressões à comunidade indígena Guarani-Kaiowá”.
“A DPU havia encaminhado ofício à Delegacia de Amambai, solicitando diligências para verificar denúncias recebidas pela instituição sobre agressões à comunidade indígena Guarani Kaiowá. […] Na noite do mesmo dia 22, a Polícia Federal de Naviraí e a Força Nacional efetuaram diligências nessa região e efetuaram a prisão em flagrante de um produtor rural por encontrarem munição em sua residência”, detalha a nota da DPU.
Entenda o caso
Casal prestou queixa na Polícia Civil de Amambai.
Reprodução
O g1 teve acesso ao Boletim de Ocorrência que detalha as agressões. O trio estava em Mato Grosso do Sul para produzir um documentário sobre o conflito entre indígenas e produtores rurais na região.
Na denúncia, o trio relata que, durante a tarde desta quarta, participavam da Assembleia da Aty Guasu – reunião entre lideranças dos povos indígenas de todo Brasil, realizada em Caarapó (MS), – quando souberam de um suposto conflito na Comunidade Pyllitokoe, em Iguatemi. O trio decidiu ir até lá.
Antes de chegarem ao local, a equipe teria sido surpreendida por um grupo de cerca de 30 homens armados com faca e pistolas. “O que aconteceu foi que umas trinta pessoas, a maioria com algo na cabeça, vieram até nós com camionetes e armas. Eles simplesmente bateram em nós e levaram tudo, minha câmera, passaporte, celular, tudo”, comentou o fotojornalista em vídeo.
“Um dos agressores cortou o cabelo com uma faca e outros lhe deram chutes nas costas e costelas. A vítima [fotojornalista canadense] aponta que neste momento um dos agressores pegou o celular e agressores passaram a procurar em suas coisas na agenda por indícios que acredita que o trio tinha relação com os grupos indígenas locais, ao fim do que os agressores pegaram os equipamentos das vítimas e foram embora”, descreve o Boletim de Ocorrência quanto ao depoimento do estrangeiro.
Casal denunciou agressões em Iguatemi (MS).
Reprodução
Ana Carolina, que é esposa de Renaud, disse ter sido xingada e agredida fisicamente.
“O grupo tentou sair do local, foram impedidos de sair, a vítima [ANA CAROLINA] e seu esposo Renaud Philippe, que e é canadense, foram agredidos que ambos foram jogados no chão e levaram chutes, socos. Ela sofreu violência verbal, que os agressores a chamaram de vadia e vagabunda”, detalha o boletim de ocorrência.
Além das agressões e dos xingamentos, os suspeitos teriam roubado todos os equipamentos do casal. O prejuízo financeiro é de mais de 10 mil dólares, segundo as vítimas.
Indígenas da região de Iguatemi afirmam que o local não é seguro por causa das disputas fundiárias.
O boletim indica que após terem sido agredidos e roubados, o trio foi liberado pelos suspeitos. Segundo o g1 apurou, Ana Carolina, Renaud e Renato seguiram para Amambai (MS), cidade a 130 km de Iguatemi, onde registraram a Ocorrência.
Em nota, a Polícia Federal informou que acompanha o caso, diz ter feito diligências em locais próximos à aldeia e instaurado uma Notícia de Crime em Verificação (NCV). A Polícia Civil também apura o caso.
Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
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