COP 28: ‘Forte em sinais, mas fraco em substância’, ‘faltam clareza e ambição’, ‘fim está próximo para a energia suja’; veja análise de ambientalistas


Especialistas dizem que o documento ainda está distante do ideal dada a magnitude e agravamento da crise climática. Sessão plenária da COP 28 em Dubai
Giuseppe Cacace / AFP
A 28ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 28, terminou nesta quarta-feira (13) com a última versão do acordo negociado entre 195 países.
Pela primeira vez, os países sinalizaram o fim da era dos combustíveis fósseis. No entanto, especialistas dizem que o documento ainda está distante do ideal dada a magnitude e agravamento da crise climática.
“Pela primeira vez nós tivemos aqui um resultado que considera uma trajetória para levar ao fim do uso de combustíveis fósseis. Obviamente que esse mapa do caminho é o esforço que teremos daqui para frente. O que eu posso falar é da nossa posição, nós trabalhamos para que países em desenvolvimento e países ricos sejam todos eles comprometidos com essa responsabilidade comum”, disse Marina Silva, ministra do Meio Ambiente.
Veja a análise dos ambientalistas:
Para Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, o resultado é “forte em sinais, mas fraco em substâncias”.
“O governo brasileiro precisa assumir a liderança até 2024 e estabelecer as bases para um acordo da COP 30 em Belém que atenda às comunidades mais pobres e vulneráveis do mundo e à natureza. Ele pode começar cancelando sua promessa de se juntar à OPEP, o grupo que tentou e não conseguiu destruir essa cúpula. Sem uma ação real, o resultado de Dubai não será comemorado entre as comunidades de todo o mundo que estão sofrendo com os eventos climáticos extremos”, disse.
“O texto final é melhor que a última versão”, disse Fernanda Carvalho, da WWF Internacional. “É louvável a inclusão dos parágrafos sobre energia. Ainda não temos a eliminação dos combustíveis fósseis, e há distrações perigosas como combustíveis de transição, o que inclui gás, e CCUS e nuclear listados como tecnologias de baixo carbono. Demos um passo importante, mas a luta continua até que o mundo realmente concorde com o fim dos fósseis”.
Joab Okanda, analista sênior de Clima da Christian Aid, acredita a era dos combustíveis fósseis está chegando ao fim. “Talvez não tenhamos cravado o prego no caixão aqui na COP 28, mas o fim está próximo para a energia suja. Agora, precisamos ver os países ricos dando seguimento às suas palavras calorosas sobre querer uma eliminação gradual dos combustíveis fósseis com ações concretas para efetivamente concretizá-la e encerrar o uso de carvão, óleo e gás até o final desta década”.
Para Javier Dávalos González, coordenador do Programa Climático da AIDA (Associação Interamericana para a Defesa do Meio Ambiente), “faltam a clareza e a ambição urgentemente necessárias para se tornar um instrumento útil para a próxima rodada de NDCs”.
“Embora o texto mencione a redução do consumo e da produção de combustíveis fósseis de maneira justa e ordenada, as referências ao zero líquido e à meta de fazê-lo até 2050 são evidências de que a COP28 não entendeu a urgência da transformação necessária”, completou o coordenador da AIDA.
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