Campinas tem alta de esporotricose em gatos: entenda por que felinos são vítimas e como protegê-los


Neste ano, 58 casos foram notificados; quase 10 vezes mais do que no ano anterior. Coordenadora da zoonose alerta, porém, que os gatos não deve ser considerados um risco para os humanos. Embora possam transmitir a doença, gatos também são vitimados e sofrem com formas graves
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A cidade de Campinas (SP) registrou uma alta nos casos notificados de esporotricose em gatos. De janeiro a outubro de 2023, foram 58 ocorrências, segundo dados divulgados pela Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) a pedido do g1.
A doença, que é contagiosa e é transmitida por um fugo, se manifesta como uma dermatite e pode atingir humanos, além de outros animais. Porém, mas é mais recorrente e fatal em felinos (entenda mais detalhes abaixo).
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🐱 Casos e mortes em gatos: ao longo de 2022 a cidade confirmou seis casos da doença nos bichanos. Naquele ano, 4 morreram por causa da esporotricose e, em 2023, foram 10.
🙍‍♂️ Casos e mortes em humanos: Já com relação às ocorrências em pessoas, foram 6 em 2023 e 2 em 2022. Não houve mortes.
Abaixo você vai conferir:
O que explica o aumento
Por que gatos não devem ser considerados um risco
O que é a esporotricose
Como ocorre a transmissão
Quais são os sintomas da esporotricose
Como é o diagnóstico e o tratamento
Como proteger os pets
Reforço das ações
Os números podem ser maiores, pois a esporotricose não tem notificação obrigatória. Apesar da alta, o UVZ destaca que a diferença entre os anos não deve ser encarada, necessariamente, como um aumento ou surto, mas um momento de alerta.
“Quando a gente viu os primeiros casos, a gente começou a fazer ação. Nessas ações a gente visa conscientizar a população, então, são feitas atividades casa a casa a partir de quando a gente diagnostica um caso” , pontua a coordenadora Marcela do Prado Coelho.
“Vamos informando as pessoas sobre quais sinais observar e isso sensibiliza, não apenas a população, como profissionais de saúde. Isso aumenta a notificação”.
Gatos não são culpados – mas, sim, vítimas
Embora os bichanos possam transmitir a humanos quando contaminados, a Secretaria de Saúde de Campinas faz um apelo para que não sejam cometidos maus-tratos contra animais. “A culpa da esporotricose não é do cachorro ou do gato”, afirma Marcela.
Ela ainda pontua que gatos estão entre os animais mais vitimizados pela doença, pois tendem a ter lesões mais profundas e, consequentemente, mais letais. Também são mais suscetíveis por conta de seus hábitos, como o de arranhar.
“Fazemos um alerta para que não ocorram maus-tratos contra ou abandono dos animais. Em caso de dúvida, procure apoio de um veterinário pelo serviço público ou particular, ou tire dúvidas pelo telefone 156”, explicou a coordenadora da UVZ.
Crimes contra animais podem ser denunciados à Guarda, pelo 153, para a Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (Depa), por meio de site, e para a Polícia Civil nas delegacias de Campinas.
Afinal, o que é a esporotricose?
A esporotricose é uma dermatite causada pelo fungo do gênero Sporothrix, que é abundante na natureza (no solo, nos espinhos de arbustos, em árvores e vegetação em decomposição).
Esse fungo pode parasitar humanos e animais, sobretudo gatos. A doença é mais grave do que uma micose simples, podendo afetar outros órgãos como pulmão e ossos.
Transmissão
Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão ocorre pela implantação do fungo na pele ou mucosa. Para isso, é preciso que ocorra uma abertura ou corte (por acidentes com espinhos, madeira, arranhadura ou mordedura de animais doentes).
👉 Animais podem ser infectados em ambiente contaminado ou por outro animal por meio de brigas. Não ocorre transmissão de humano para humano.
Sintomas
🐱🐶 Em gatos e cachorros: os sintomas mais comuns são feridas profundas na pele, geralmente com pus, que não cicatrizam e que costumam piorar rapidamente, além de espirros frequentes. “O principal é ferida na pele. Geralente acomete mais a região do rosto, próximo aos olhos, orelha e focinho”, explica Marcela.
As principais formas clínicas da doença são:
Cutânea: é caracterizada por um nódulo avermelhado. Também podem ser observadas secreções que lembram abcessos e feridas causadas por brigas;
Linfocutânea: ocorre quando os nódulos cutâneos progridem para úlceras com secreção na pele, com comprometimento do sistema linfático;
Disseminada: neste estágio, há lesões ulceradas generalizadas, além de apatia, febre, anorexia e alteração no trato respiratório.
👥 Em humanos: A lesão inicial parece com uma picada de inseto e vai aumentando, com difícil cicatrização. Em casos mais graves, porém, o fungo afeta os pulmões e podem surgir tosse, falta de ar, dor ao respirar e febre. Também pode afetar os ossos e articulações, manifestando-se como inchaço e dor aos movimentos, bastante semelhantes ao de uma artrite infecciosa.
As formas clínicas da doença vão depender de fatores como o estado imunológico do indivíduo e a profundidade da lesão:
Cutânea: caracteriza-se por uma ou múltiplas lesões, localizadas principalmente nas mãos e braços
Linfocutânea: é a forma clínica mais frequente; são formados pequenos nódulos, localizados na camada da pele mais profunda, seguindo o trajeto do sistema linfático da região corporal afetada. A localização preferencial é nos membros
Extracutânea: quando a doença se espalha para outros locais do corpo, como ossos, mucosas, entre outros, sem comprometimento da pele
Disseminada: acontece quando a doença se dissemina para outros locais do organismo, com comprometimento de vários órgãos e/ou sistemas (pulmão, ossos, fígado).
Diagnóstico e tratamento
🐱🐶 Em gatos e cachorros: são feitos exames físico e dermatológico e podem ser solicitados exames laboratoriais, como de cultura de fungos, citológico e histopatológico.
É importante que o tutor relate o histórico do animal, revelando, por exemplo, se ele se envolveu em alguma briga. O tratamento para esporotricose em animais é feito com um medicamento antifúngico.
👥 Em humanos: a esporotricose em humanos pode ser diagnosticada a partir de dados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais.
Pode ser feita uma biópsia ou aspiração de lesões. Nos casos mais graves, outras amostras, podem ser analisadas amostras de secreções, de acordo com os órgãos afetados.
O tratamento é feito com antifúngicos oferecidos gratuitamente pelo SUS. A duração pode variar de três a seis meses.
Como proteger os pets
❤️ Melhor do que tratar é prevenir e, segundo Marcela, uma forma de fazer isso é evitar as ‘saidinhas’ do animal. Outra orientação é buscar atendimento veterinário assim que surgirem os sinais. A esporotricose é tratável e, quando isso ocorre nos estágios iniciais, reduz o sofrimento do pet.
“Tanto para proteger ele mesmo, quanto proteger para não passar para um próximo. O essencial é manter o gato preso dentro de casa. Você tem controle desse animal? Porque, uma vez que ele sai pra rua, pode até passar para outra pessoa”.
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