Bastidores de dança de cadeiras empresarial intrigam o mundo da tecnologia


Demissão de Sam Altman, criador do ChatGPT, aprofundou o debate sobre os limites éticos do desenvolvimento da inteligência artificial. Mais de 700 dos 770 funcionários da empresa OpenAI assinaram uma carta pedindo a volta dele. Bastidores de dança de cadeiras empresarial intrigam o mundo da tecnologia
Nos Estados Unidos, a demissão de uma estrela do setor de tecnologia aprofundou o debate sobre os limites éticos do desenvolvimento da inteligência artificial.
Sam Altman é o cérebro humano por trás da ferramenta de inteligência artificial mais famosa e uma das mais avançadas do mundo, o ChatGPT. Lançada pela empresa OpenAI há menos de um ano, ela provocou uma revolução.
O software é treinado pra “conversar” com seres humanos, entende demandas em linguagem simples para gerar conteúdos com base em todas as informações disponíveis na internet. O uso é tão variado que vai de trabalhos de escola a campanhas políticas, e também para trazer para o mundo real imagens que só existiam na imaginação. E esses são apenas os primeiros passos da inteligência artificial, que ainda pode mudar radicalmente o jeito como vivemos hoje.
Na última sexta-feira (17), quatro dos seis integrantes do conselho administrativo da OpenAI, empresa avaliada em mais de R$ 440 bilhões, decidiram demitir Sam Altman. Em um comunicado, eles afirmaram que Altman não tinha sido transparente nas comunicações e que, por isso, o conselho não tinha mais confiança na sua capacidade de liderar a empresa.
Nos bastidores, a principal disputa era sobre o ritmo que as novidades da inteligência artificial deveriam chegar às mãos dos usuários. Sam Altman queria acelerar o lançamento de novos produtos, enquanto o conselho preferia priorizar a segurança no desenvolvimento e aplicação de uma ferramenta tão poderosa.
Cientista-chefe da OpenAI, Ilya Sutskever
JN
O alerta partiu do cientista-chefe da OpenAI, Ilya Sutskever, que também ocupa uma das cadeiras do conselho.
“O que a OpenAI procura fazer é gerar uma evolução gradativa e segura na construção da inteligência artificial. Então, em última instância, falamos aqui de uma disputa sobre visões com qual velocidade nós chegaríamos neste futuro de uma inteligência artificial cada vez mais inteligente e que pudesse, até mesmo, substituir ou aprimorar as capacidades e as habilidades humanas”, afirma Carlos Affonso Souza, diretor do Instituto Tecnologia e Sociedade.
Nesta segunda (20), a Microsoft, que é acionista e já injetou US$ 13 bilhões na OpenAI, anunciou a contratação de Sam Altman e a criação de uma nova divisão de inteligência artificial dentro da empresa, mas não está claro se Sam Altman vai mesmo assumir esse posto ou se ainda pode retornar ao cargo de CEO da OpenAI.
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Mais de 700 dos 770 funcionários da empresa assinaram uma carta pedindo a volta dele e a demissão dos integrantes do conselho, entre eles, o cientista-chefe Ilya Sutskever, aquele que deu o alerta de segurança e que tinha pedido a saída de Altman. Sutskever disse que se arrependeu e que não tinha a intenção de prejudicar a empresa.
“O desafio que nós temos adiante com a inteligência artificial é um desafio para decidir o que é real e o que é inventado, o que é autêntico e o que é artificial, e nós vamos precisar cada vez mais treinar a maneira pela qual nós enxergamos, entendemos, processamos e conversamos sobre todos os temas. Por isso, uma educação midiática, uma educação digital, é cada vez mais importante nesse futuro da inteligência artificial. E o que vemos hoje é um debate global sobre os limites da inteligência artificial e qual o papel dos governos”, ressalta Carlos Affonso Souza.
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