Arma usada para matar o miliciano Marquinhos Catiri foi utilizada em outros seis crimes, dizem polícia e MPRJ


A Delegacia de Homicídios encontrou evidências de que estojos de munição de uma mesma arma, um fuzil calibre 7,62, foram utilizados em seis execuções e uma tentativa de homicídio. Carro com marcas de bala perto do lugar onde Marquinho Catiri foi morto, na Zona Norte do Rio, em 2022
Reprodução
A Delegacia de Homicídios encontrou evidências de que estojos de munição de uma mesma arma, um fuzil calibre 7,62, foram utilizados em seis homicídios e uma tentativa de homicídio entre 2022 e 2023.
Nas munições analisadas pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli, foram encontradas semelhanças entre os estojos de munição utilizados nesses crimes.
De acordo com documentos da Delegacia de Homicídios da Capital enviados à Justiça do Rio, um confronto balístico encontrou, entre agosto e novembro deste ano, indícios de utilização do armamento em quatro mortes investigadas pela especializada:
O miliciano Marquinhos Catiri, em 2022, que era braço armado do bicheiro Bernardo Bello
Fernando Marcos Ferreira Ribeiro , que trabalhava para o grupo de Bernardo Bello
Alex Sandro José da Silva, o Sandrinho, que era segurança de Catiri
O inspetor penitenciário Bruno Kilier Fernandes em 2023.
Bruno Kilier da Conceição foi morto na Estrada do Pontal, no Recreio
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A mesma arma também foi usada nas execuções de outras duas vítimas, segundo as investigações da DH:
O inspetor da Polícia Civil João Joel de Araújo, em Guaratiba
Tiago Barbosa, na Via Light, em Nova Iguaçu
Catiri corria na esteira numa academia da Zona Norte do Rio quando foi preso em 2018; o criminoso foi morto em 2022
Reprodução/TV Globo
A Polícia Civil investiga se as mortes de João Joel, Tiago Barbosa e Bruno Kilier estão ligadas às disputas pelo mercado de cigarros ilegais.
Nos casos de Catiri, Sandrinho e Fernando, a suspeita é que a motivação das execuções seja a disputa por pontos do jogo do bicho.
Câmera de segurança flagrou momento em que homem foi morto a tiros na Tijuca
A Polícia Civil já sabe que a mesma arma foi utilizada na tentativa de homicídio do filho do bicheiro Luiz Cabral Waddington Neto, em Vila Isabel, em 14 de abril deste ano. Após o ataque, ele foi à delegacia e contou sobre as disputas dentro da contravenção.
O contraventor Luiz Cabral Waddington
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Cabral, segundo as investigações, se vingou do ataque ao filho e foi responsável por um ataque a tiros em Vila Isabel. A prisão dele foi pedida pela Justiça. O contraventor está foragido.
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Além do armamento idêntico, as investigações citam semelhanças entre as execuções: utilização de veículos clonados, com criminosos encapuzados e vestindo roupas pretas, coletes e luvas, além do planejamento detalhado das ações.
Catiri, por exemplo, foi monitorado durante um ano até ser executado, inclusive com uso de drones, segundo as investigações.
Fernando Marcos foi seguido por policiais militares que trabalhavam para a organização criminosa na véspera de sua morte, em abril de 2023.
Suspeitos visitaram Adilsinho
Suspeitos de cometer os crimes foram registrados como visitantes do apartamento de Adilson Oliveira Coutinho, o Adilsinho da Grande Rio, que é investigado como possível mandante dos crimes.
Procurada, a defesa de Adilsinho não quis se manifestar.
O confronto balístico foi citado como uma das provas recentes do Ministério Público para pedir a prisão de Adilsinho, que foi negada pela Justiça do Rio.
Cartaz do Disque Denúncia pede informações sobre o PM Rafael Dutra, o ‘Sem Alma’
Divulgação
No cadastro do condomínio, de acordo com a Delegacia de Homicídios da Capital, Wanderson Lemos, o Chacal, e Rafael do Nascimento Dutra, o Sem Alma, são listados como seguranças.
Entenda quem é quem na disputa por pontos da contravenção
Seguranças do bicheiro Adilsinho são investigados por homicídios entre 2021 e 2023
Nas investigações das mortes de Catiri e Sandrinho, foram emitidos mandados de prisão para os seguintes alvos: George Garcia de Souza Alcovias; José Ricardo Gomes Simões; e Rafael do Nascimento Dutra, o Sem Alma, PM lotado no 15º BPM (Duque de Caxias). George e José Ricardo foram presos.
Sem Alma, que está foragido, é procurado por suspeita de ser um dos chefes de um novo grupo de assassinos de aluguel que atua no Rio.
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Quem é Adilsinho
Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, é apontado como mandante da morte de Catiri
Divulgação
Adilsinho é apontado como um dos chefes de uma quadrilha ligada ao jogo do bicho que vende cigarros ilegalmente no Rio. Ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal em 2021.
Em 2009, ele foi um dos alvos da Operação Furacão, que investigou a cúpula do jogo do bicho do estado e seu envolvimento com máquinas de caça-níquel. Segundo investigações da época, programas de apostas eletrônicas instalados nas máquinas das casas de jogos do Rio eram alterados para ludibriar apostadores e lavar dinheiro.
Alvo de operação da PF deu festa no Copacabana Palace para 500 pessoas na pandemia
Em 2021, em meio à pandemia de coronavírus, Adilsinho voltou ao noticiário ao promover uma festa de luxo no Copacabana Palace para 500 pessoas e shows com cantores famosos, para comemorar seu aniversário.
Na época, a prefeitura do Rio alegou não ter encontrado irregularidades na festa, realizada durante a pandemia.
Trecho do clipe-convite do aniversário de Adilsinho
Reprodução/TV Globo
No dia 1° deste mês, a Globoplay lançou a série “Vale o escrito – A Guerra do Jogo do Bicho”, que conta a trajetória de famílias ligadas à contravenção, as brigas internas pelo poder, fraudes, traições, prisões, vinganças e assassinatos. Adilsinho é um dos personagens, e aparece no último episódio.
‘Vale o Escrito’ retrata o jogo do bicho no Rio de Janeiro, seus chefes e descendentes
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