80% dos paulistanos dizem que há diferença de tratamento entre negros e brancos em shoppings, aponta pesquisa


Relatório ‘Viver em SP: Relações Raciais’ apontou também que 75% percebem o racismo de forma mais acentuada em faculdades e escolas; quase 50% acham que há diferença no tratamento no local onde mora. Pesquisa Relações Raciais 2023
Reprodulção/Rede Nossa SP
Um levantamento realizado pela Rede Nossa São Paulo revelou que os moradores de São Paulo acham que shoppings e comércios em geral são os locais em que há mais preconceito racial na cidade: 80% dos entrevistados dizem que há diferença de tratamento entre negros e brancos nesses espaços.
A pesquisa ‘Viver em SP: Relações Raciais’ também mostrou a percepção sobre racismo em outros ambientes na capital:
Faculdades e escolas: 75% acham que há diferença no tratamento entre negros e brancos
Ruas e espaços públicos: 72% acham que há diferença no tratamento entre negros e brancos
Local de trabalho: 71% acham que há diferença no tratamento entre negros e brancos
Ambiente esportivo: 69% acham que há diferença no tratamento entre negros e brancos
Transporte público: 68% acham que há diferença no tratamento entre negros e brancos
Hospitais e postos de saúde: 61% acham que há diferença no tratamento entre negros e brancos
Em setembro, a influencer Dandara Inairan relatou que sofreu ataques racistas de uma mulher desconhecida dentro do Shopping Anália Franco, na Zona Leste de São Paulo.
As ofensas ocorreram após a criadora de conteúdo deixar a academia, localizada no 4º piso do centro comercial.
“Me seguiu até o térreo, enquanto me agredia verbalmente e me insultava. Segundo ela, eu estava vestida inadequadamente para tal local. Mas, enquanto as agressões ocorriam, passavam várias pessoas com os mesmos trajes e em nenhum momento essas outras pessoas foram questionadas pelo o que estavam vestindo, só eu”, relatou a jovem, que usava roupas esportivas.
Em abril, a Justiça de São Paulo condenou o Bourbon Shopping, na Zona Oeste da capital paulista, a pagar indenização de R$ 10 mil a um menino negro que foi barrado por seguranças do estabelecimento a entrar no local.
Segundo o estudo, a percepção sobre racismo ficou abaixo dos 50% em apenas três locais, mas chama a atenção o número elevado no próprio local de moradia do entrevistado:
Local onde mora: 48% acham que há diferença no tratamento entre negros e brancos
Igrejas e locais de cultos religiosos: 45% acham que há diferença no tratamento entre negros e brancos
Ambiente familiar: 34% acham que há diferença no tratamento entre negros e brancos
Lançada em parceria com o Ipec, a pesquisa ouviu 800 pessoas acima de 16 anos entre os dias 9 e 26 de agosto deste ano. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Medidas de combate ao racismo
O estudo perguntou aos entrevistados quais seriam as medidas que mais contribuem para o combate ao racismo na cidade de São Paulo:
50% das pessoas escolheram aumento da punição aos atos de injúria racial e racismo
39% disseram que a medida mais efetiva é punir de forma mais severa policiais que cometem abusos contra pessoas negras
38% falaram que debater e incluir o tema no currículo escolar é a maneira mais efetiva de combater o racismo
Papel das pessoas brancas no combate ao preconceito racial
A Rede Nossa São Paulo também questionou os entrevistados sobre qual deve ser o papel das pessoas brancas no combate ao racismo na capital:
53% das pessoas disseram que as pessoas brancas devem se informar mais e se educar sobre o assunto
41% disseram que os brancos precisam intervir em situações de tratamento diferente entre pessoas negras e brancas
41% acham que as pessoas brancas devem se reconhecer como parte do problema, identificando, por exemplo, ações racistas em atitudes como gírias e piadas
26% responderam que os brancos precisam reconhecer os próprios privilégios e o racismo estrutural
18% disseram que as pessoas brancas devem participar de protestos, sejam físicos ou online, em apoio às reivindicações das pessoas negras
10% consideraram que votar em pessoas negras pode ser parte da solução
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Andre Penner/AP
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