Jovem relata à polícia suposto episódio de importunação sexual envolvendo ministro do STJ em praia de SC

Caso teria ocorrido em janeiro, durante viagem ao litoral catarinense; denúncia é apurada pela Polícia Civil e pelo Conselho Nacional de Justiça

(Foto: Daniela Dalla / NCI TJSC)

O boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil de São Paulo por uma jovem de 18 anos traz detalhes do relato em que ela acusa o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, de importunação sexual. Segundo o documento, o episódio teria ocorrido no dia 9 de janeiro, na praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú, durante uma viagem ao litoral de Santa Catarina.

De acordo com o registro policial, a viagem teria ocorrido a convite do ministro e de sua esposa, com a participação inicial da jovem e de seus pais. O caso passou a ser apurado também pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde a jovem deve prestar depoimento nesta quinta-feira (5). A TV Globo teve acesso ao boletim de ocorrência, que detalha o relato apresentado à polícia.

Relação de proximidade

Segundo o depoimento, a jovem é filha de uma advogada que atua nos tribunais superiores. A relação profissional da mãe com o ministro, ao longo dos anos, teria evoluído para uma convivência próxima entre as famílias. A jovem afirma que frequentava o STJ desde a infância, acompanhando a mãe, e que via o magistrado como uma figura de confiança, a quem recorria para conselhos pessoais e acadêmicos, especialmente no período em que decidiu cursar Direito.

Ainda conforme o relato, a família ficou hospedada na residência do ministro e de sua esposa. Nos primeiros dias, a convivência teria sido tranquila.

Relato do episódio

O episódio central descrito no boletim de ocorrência teria ocorrido na manhã de 9 de janeiro. A jovem afirma que foi à praia acompanhada do ministro, enquanto seus pais permaneceram na residência.

No local, segundo o depoimento, o ministro teria sugerido que ambos entrassem no mar e se deslocassem para um trecho mais afastado da praia, fora do campo de visão do grupo com quem estavam hospedados. Ele teria alegado que naquele ponto o mar estaria mais tranquilo, o que causou estranhamento à jovem, que ainda assim aceitou o convite.

Ela relata que, por se tratar de uma praia de “tombo”, recebeu ajuda do ministro para entrar na água. Já dentro do mar, ele teria sugerido avançar para uma área mais funda, conduzindo a jovem pela mão. Enquanto conversavam, o ministro teria comentado que sentia frio e apontado para duas pessoas próximas, dizendo que estariam abraçadas por esse motivo.

Nesse momento, segundo a jovem, o ministro teria a puxado pelo braço e a segurado junto ao próprio corpo. Ao tentar se afastar, ela afirma que foi puxada novamente. Após conseguir se desvencilhar, relata que ele ainda tentou se aproximar outras vezes, sem sucesso.

Ainda conforme o boletim, o ministro teria feito comentários à jovem ao sair do mar, dizendo que ela seria “muito sincera” e que deveria ser “menos sincera com as pessoas”, afirmando que isso poderia prejudicá-la. Após o episódio, ambos retornaram ao local onde estavam antes.

Repercussões familiares e emocionais

A jovem afirma que deixou a praia rapidamente, visivelmente abalada, e contou o ocorrido ao pai ao chegar à residência. Pouco depois, a mãe também foi informada, e a família decidiu interromper a viagem e retornar a São Paulo.

Segundo o relato, desde então a jovem passou a enfrentar dificuldades para dormir, episódios de ansiedade e pesadelos recorrentes relacionados ao episódio, além de estar em acompanhamento psicológico.

Posicionamentos

O Superior Tribunal de Justiça não emitiu posicionamento institucional sobre o caso. Em nota, o gabinete do ministro Marco Buzzi afirmou que ele foi “surpreendido com o teor das insinuações” e que elas “não correspondem aos fatos”. O texto também diz que o ministro repudia “toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”.

A defesa da jovem e de sua família também se manifestou. O advogado Daniel Leon Bialski declarou que, neste momento, o foco é a preservação da vítima e de seus familiares. “Aguardamos rigor nas apurações e o respectivo desfecho perante os órgãos competentes”, afirmou.

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