Campeche lidera ranking de afogamentos e acende alerta para riscos no Sul da Ilha

Conhecida por atrair famílias, surfistas e turistas durante o verão, a Praia do Campeche, em Florianópolis, liderou o número de ocorrências relacionadas a afogamentos na Grande Florianópolis nesta temporada. O dado consta em levantamento do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, referente ao período entre 15 de dezembro de 2025 e 13 de janeiro de 2026.

A praia é conhecida como um reduto para surfistas e banhistas (Foto: Arquivo)

Segundo os bombeiros, somente nesse intervalo foram registradas cerca de 909 mil ações de prevenção a acidentes em praias da região. Florianópolis concentrou a maior parte dos atendimentos, com aproximadamente 569 mil prevenções realizadas.

Campeche concentra maior número de ocorrências

Entre todas as praias monitoradas, o Campeche apresentou o maior volume de ocorrências, somando 197 registros — mais que o dobro da segunda colocada. Na sequência aparecem a Praia do Matadeiro, com 62 ocorrências, e a Praia de Palmas, em Governador Celso Ramos, com 60.

Localizada no Sul da Ilha, a Praia do Campeche é uma das mais frequentadas de Florianópolis, tanto por moradores quanto por turistas. O cenário de mar aberto, águas claras e extensa faixa de areia, aliado à proximidade com a Ilha do Campeche, contribui para a alta circulação de banhistas.

Correntes de retorno explicam risco elevado

De acordo com o professor Pedro Pereira, do curso de Oceanografia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o principal fator de risco no Campeche é a presença frequente de correntes de retorno, apontadas como a principal causa de afogamentos no litoral catarinense.

Essas correntes se formam quando a água que chega à praia pelas ondas retorna com força para o mar aberto, criando canais de escoamento que podem arrastar os banhistas. O fenômeno é comum em praias de mar aberto, como o Campeche, e pode ocorrer mesmo em dias de aparente calmaria.

Turismo e falta de familiaridade aumentam o risco

Além das características naturais, fatores sociais também influenciam no elevado número de ocorrências. Durante o verão, a praia recebe um grande fluxo de turistas, muitos deles sem familiaridade com as condições do mar na Ilha de Santa Catarina.

Segundo especialistas, a combinação entre grande movimentação de pessoas e desconhecimento das correntes marítimas aumenta a probabilidade de acidentes, especialmente fora das áreas indicadas como seguras.

Nas praias com cobertura de guarda-vidas, os pontos com risco elevado são sinalizados com bandeiras vermelhas, indicando locais onde o banho não é recomendado.

Orientações para evitar afogamentos

A major Natália Cauduro da Silva, subcomandante do Batalhão de Bombeiros Militar de Florianópolis, reforça que a atenção do banhista é fundamental para evitar acidentes.

— Quanto maior o volume e a força das ondas, maior tende a ser a corrente de retorno. Caso a pessoa perceba que está sendo puxada, o ideal é manter a calma, acenar para o guarda-vidas, flutuar ou nadar paralelamente à praia. Nunca se deve tentar nadar contra a corrente, pois ela é mais forte — orienta.

Indicadores mostram melhora na temporada

Apesar dos números elevados de ocorrências, os dados indicam melhora em relação à temporada anterior. Em 2026, foram registrados 455 salvamentos e três afogamentos com recuperação. No mesmo período de 2025, os bombeiros contabilizaram 875 salvamentos e nove afogamentos.

O número de mortes por afogamento também caiu, passando de três para uma ocorrência. Outro dado positivo foi a redução no número de crianças perdidas nas praias, que caiu de cerca de 1,1 mil para 352 registros.

Por outro lado, houve aumento nos acidentes com águas-vivas. Nesta temporada, foram contabilizadas 3.750 ocorrências, contra 3.714 no mesmo período do verão anterior.

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