Dejeto suíno na receita? Conheça a cerveja catarinense inovadora

A bebida artesanal foi criada de forma experimental durante uma década de pesquisa na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Dejetos suínos viraram água potável para uso na produção de cerveja em Concórdia, no Oeste de Santa Catarina. A bebida artesanal foi criada de forma experimental durante uma década de pesquisa na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Até o momento, foram produzidos 40 litros da cerveja em um longo e rígido processo. Agora, a próxima etapa é captar recursos para novo projeto com foco na comercialização ainda em 2026.

— Esse piloto que a gente fez foi justamente para coletar as percepções das pessoas que degustaram a cerveja ou que não quiseram, inclusive, degustar. Nos chamou muito a atenção, dentro das respostas, que a grande maioria das pessoas se interessavam por conhecer a cerveja, mesmo ela tendo vindo do dejeto de suíno, algo que aparentemente é algo muito sujo —  comentou Ricardo Steinmetz, pesquisador e coordenador do Laboratório de Estudos de Biogás da Embrapa Suínos e Aves.

Como foi o processo de transformação dos dejetos

De aparência escura e com forte presença de sólidos, os dejetos de suínos são compostos principalmente por água, entre 94% e 99%. Geralmente não passam por processos de limpeza e acabam utilizados para irrigação, piscicultura ou retornam para a granja em lavagens das instalações, explica Steinmetz.

No entanto, com o tratamento da Embrapa passam a ganhar novo uso. O processo acontece quando os pesquisadores pegam o efluente tratado, ou seja, água reciclada, depois fazem um tratamento adicional de potabilidade com uso de clarificantes, processos de filtração e etc. Ao atender os padrões de potabilidade, ela é destinada à produção da cerveja.

Entenda como o rigoroso processo acontece:

  1. O dejeto passa por um conjunto de etapas de tratamento, recuperando energia e nutrientes para tornar a água apta para descarte no rio;
  2. Essa água é aquela que possui qualidade para reúso. Geralmente na irrigação, produção de peixes ou retornando para a granja;
  3. Agora essa água de reúso passa por mais um tratamento, ela é analisada até atingir o padrão de potabilidade – ou seja, quando a água se torna segura e própria para o consumo humano.
  4. Quando atender os padrões de potabilidade mínimos, ela é usada na produção da cerveja.

Quem já experimentou a bebida

A bebida já foi disponibilizada para degustação em eventos científicos em 2024 e 2025. O mestre cervejeiro Fernando Cavassin viveu um desses momentos e considerou a opção como uma alternativa sustentável e promissora.

— É uma água que não trouxe nenhum aspecto sensorial para o produto em si. Muito bom — avaliou.

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