Entenda a origem das manchas em cartão-postal de Florianópolis

O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) informou que a formação de espuma registrada na última quarta-feira (10) na Lagoa da Conceição não tem origem química nem está relacionada a poluição causada por ação humana. De acordo com o órgão, o fenômeno é semelhante ao observado em outubro deste ano e tem origem natural, ligada a processos biológicos.

Segundo o IMA, análises preliminares indicam uma grande quantidade e diversidade de microalgas na água, resultado da decomposição de matéria orgânica. Desta vez, os técnicos também identificaram espécies típicas do mar e de ambientes estuarinos — áreas costeiras de transição onde a água doce dos rios se mistura com a água salgada do mar —, o que aponta para a entrada de água do oceano na lagoa.

A explicação mais provável para o aparecimento da espuma é a combinação de dois fatores: o alto nível de nutrientes da Lagoa da Conceição — o que favorece o crescimento de organismos — e a passagem recente de um ciclone, que provocou a entrada de água do mar e aumentou a agitação da água.

Esse movimento gera turbulência e mistura os materiais presentes, facilitando a liberação de substâncias naturais que dão estabilidade à espuma.

Veja o vídeo da espuma feito por moradores

O IMA afirma que segue monitorando a área para acompanhar a evolução do fenômeno. Como medida de precaução, o instituto recomenda que a população evite o banho e o contato direto com a água nos pontos onde houver acúmulo de espuma ou alteração na coloração.

A qualidade da água nos locais monitorados pode ser consultada nos boletins atualizados do Programa de Balneabilidade, disponíveis no site do IMA.

Manchas afastam turistas e afetam negócios da Lagoa

A sequência de fenômenos ambientais no último mês na Lagoa da Conceição, tem preocupado moradores e empresários da região. Depois da espuma marrom e dos animais mortos em outubro, uma mancha azul surgiu sobre a água, afastando visitantes, em novembro.

O fenômeno que deixou a água azul acontece apenas duas semanas após outra ocorrência, quando uma camada marrom coberta por espuma tomou conta da Lagoa. À época, a Prefeitura de Florianópolis informou que a causa era a proliferação incomum de algas presentes na região.

Um laudo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) confirmou que as espumas foram provocadas por algas potencialmente nocivas da classe Raphidophyceae, que causam as chamadas marés marrons. Segundo os pesquisadores, o fenômeno está diretamente ligado à ação humana.

“Os fatores causais mais prováveis são o excesso de nutrientes resultante de excesso de esgotos e ressuspensão de matéria orgânica acumulada no fundo, e a ativação de cistos de dormência das algas, também por processos de ressuspensão de sedimentos”, apontaram os cientistas no documento.

Essas algas podem liberar um muco que bloqueia as brânquias de peixes e crustáceos, causando mortalidade de organismos aquáticos. Elas também representam risco de intoxicação humana.

O Jornal Floripa questionou o IMA sobre a relação das manchas mais recentes com as algas nocivas, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. A prefeitura também foi questionada, e o espaço segue aberto.

Leia a nota do IMA na íntegra

O recente evento de formação de espuma observado na Lagoa da Conceição apresenta características semelhantes ao fenômeno diagnosticado no Relatório Técnico nº 1576/2025/IMA/CFI, emitido em 15 de outubro de 2025, o qual indicou tratar-se de espuma de origem biogênica, não associada à contaminação química de origem artificial.

A análise preliminar da comunidade fitoplanctônica, densa, diversa e sem dominância específica corrobora o padrão observado anteriormente de decomposição de biomassa mista, reforçada agora pela identificação de espécies marinhas e estuarinas que evidenciam a intrusão de águas oceânicas. 

A causa provável do fenômeno reside na sinergia entre o nível trófico elevado da Lagoa (caracterizado pelo excesso de nutrientes), e o forçamento físico recente causado pela passagem de um ciclone. O empilhamento de água do mar para o interior da laguna promove turbulência e mistura que, aliados à disponibilidade de nutrientes, favorecem a liberação de tensoativos orgânicos responsáveis pela estabilidade da espuma.

A equipe técnica mantém a vigilância e o monitoramento da área para acompanhar a evolução do fenômeno. Como medida preventiva, recomenda-se evitar o banho e o contato direto com a água nos locais onde houver acúmulo de espuma ou alteração de cor.

Para a verificação da qualidade da água nos pontos monitorados pelo Instituto no Programa de Balneabilidade, é fundamental consultar os relatórios atualizados e divulgados pelo IMA no site: https://balneabilidade.ima.sc.gov.br/“.

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